Informe RBE: Revista adota taxa de editoração

O corpo de editores científicos da REVISTA BRASILEIRA DE EPIDEMIOLOGIA – RBE -, editada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO –, vem à presença da comunidade científica prestar esclarecimentos sobre a deliberação assumida, em acordo com os Editores Associados e com a diretoria da ABRASCO, de promover cobrança para a publicação de artigos (Article Processing Charge – APC, como expresso no idioma anglo-saxão).

A RBE entra neste ano de 2021 no seu vigésimo quarto ano de edição ininterrupta desde 1997, ano de sua criação. A revista tem suas publicações indexadas no SciELO, MEDLINE, SCOPUS, LILACS, Latindex e em processo submetido de indexação na Web of Science. Nos anos recentes, experimentou ampla reformulação de seus quadros de editores científicos e do grupo de assessores e de editores associados, o que lhe permitiu aprimorar o trabalho de revisão de manuscritos submetidos, emprestando maior agilidade e qualidade nesta atividade. Com muito orgulho, e mantendo o rigor científico, temos hoje curto prazo médio para decisão editorial após submissão e para publicação dos artigos após sua aprovação. Cumpre salientar também que a editoria da RBE estabeleceu processo de fast track para atender a alta demanda de trabalhos sobre a atual pandemia, contemplando, assim, com sucesso a divulgação em praticamente tempo real dos conhecimentos produzidos.

Como é do conhecimento da comunidade científica, este empreendimento implica a mobilização de recursos financeiros, que a lado do trabalho voluntário de seus editores (científicos, assessores e associados) e o apoio de centenas de revisores são a garantia da sustentabilidade da revista, fato este característico de grande parte dos periódicos, especialmente os editados no Brasil.

Como também é do conhecimento generalizado, a sustentabilidade dos periódicos brasileiros vem sofrendo dificuldades crescentes. No país, a política editorial exercida pelos ministérios, entre os quais Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, Ministério da Educação e Ministério da Saúde, sofreu, assim como as políticas de desenvolvimento científico, cortes substantivos no seu financiamento, acarretando, por consequência, significativos impedimentos para a devida sustentabilidade da maioria dos periódicos nacionais. Cabe aqui destacar expressão de Meneghini, ao analisar a dependência dos periódicos nacionais destes recursos pela especificidade e diferenciação dos periódicos internacionais: “A motivação para produzir periódicos científicos em países emergentes difere daquela de países desenvolvidos. Nestes, a força propulsora é primordialmente comercial, embora o interesse científico esteja necessariamente presente. Estes periódicos almejam publicar resultados científicos em diferentes áreas do conhecimento, com uma grande variedade de abordagens, focando o caráter inovador, o rigor metodológico e a relevância dos resultados. Em países emergentes, a produção de periódicos não tem sentido comercial, prestando-se mais a dar vazão à informação científica gerada e que não escoa facilmente para os periódicos internacionais por razões várias. Ademais, ela é significativamente dependente de recursos públicos” (Meneguini R. Publicação de periódicos nacionais de ciência em países emergentes. Educação em Revista 2012, 28(2):435-44).

Neste cenário, revistas da área de Saúde Coletiva que não vinham cobrando alguma modalidade de APC se viram obrigadas a estabelecer este processo para garantir sua sustentabilidade. É o caso de coirmãs como Revista de Saúde Pública, Interface e Ciência & Saúde Coletiva. Para garantir a manutenção da RBE, nós editores nos vimos compelidos a adotar os mesmos procedimentos, conscientes de possível repercussão adversa num primeiro momento. Como explicitado no portal da RBE (scielo.br/rbepid), implementaremos este processo de modo gradativo, visando a evitar repercussões desfavoráveis e procurando estabelecer mecanismos que contemplem eventuais subsídios para grupos com menos recursos em sua estrutura institucional. Cabe destacar, ainda, que a RBE é bilíngue e todas as versões em inglês continuarão sendo custeadas pela revista.

Deve-se destacar que movimento semelhante acomete a base SciELO. Conquista que é da comunidade científica latino-americana e brasileira, ela se vê ameaçada na sua sustentabilidade pelas mesmas razões financeiras. Segundo informações não publicadas, o aporte de recursos, agravado pela estrutura cambial com elevada desvalorização do real frente ao dólar, tem provocado dificuldades para garantir sua manutenção. Entre as diferentes buscas de alternativas à SciELO, abrem-se eventuais possibilidades, entre outras tantas, de solicitar aos próprios periódicos que participem financeiramente para garantir a sua sustentabilidade. Ou seja, é mais um exemplo patente da crise atualmente vivenciada pelas instituições voltadas para o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação brasileiras.
Com estas informações e certos da compreensão da comunidade científica, a editoria coloca-se à disposição para esclarecimentos outros que se fizerem necessários e mantém seu empenho para o crescimento e aprimoramento da RBE e da ciência brasileira.

Atenciosamente,
as editoras e os editores.

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