Ciência & Saúde Coletiva – Fevereiro de 2021

Foto de Chokniti Khongchum no Pexels

Editorial

Pesquisa qualitativa em saúde: múltiplas possibilidades e olhares

Ellen Synthia Fernandes de Oliveira; Christina César Praça Brasil; Elza de Fátima Ribeiro Higa

Esta edição conjuga duas propostas: uma de base qualitativa que nasceu da parceria estabelecida entre o corpo editorial da Revista Ciência e Saúde Coletiva (C&SC) e a comissão científica do Congresso Ibero-Americano de Investigação Qualitativa (CIAIQ), a partir da seleção dos melhores trabalhos apresentados nos anos de 2018 e 2019. A segunda, com abordagem quantitativa, apresenta uma série de artigos provenientes da Pesquisa Nacional de Saúde. É importante observar esses dois movimentos, pois ambos trabalham com o que é mais precioso para as ciências sociais e a saúde coletiva. Como lembra Lévy Strauss, saúde/doença são capazes de revelar o mais profundo do indivíduo e da sociedade em que ele vive, do que temos prova na vivência com a COVID-19.

É do autor a seguinte frase: “O esforço irrealizável, a dor intolerável, o prazer e o aborrecimento ocorrem por meio das particularidades individuais, mas, sobretudo, por meio de critérios sancionados pela aprovação ou desaprovação coletivas […] Em face das concepções racistas que querem ver no homem o produto de seu corpo, ao contrário, é ser humano, sempre e em toda parte, que faz de seu corpo um produto de suas técnicas e de suas representações (em Introdução ao livro de Marcel Mauss, Sociologie et Anthropologie, pp. I-XXX. Paris: PUF, 1950). Porque saúde/doença é um termômetro social, nada mais importante que os vários tipos de pesquisadores do setor saibam sobre o comportamento coletivo e as subjetividades, ao mesmo tempo em que, tecnicamente, são exímios sobre os problemas que afetam os órgãos. Essa, de um lado, é a contribuição da pesquisa qualitativa.

Neste número temático o leitor encontrará uma série de trabalhos empíricos e abordagens metodológicas que, cada vez mais, aprofundam a riqueza desse conhecimento que ajuda a entender o ser humano que tem uma doença e não é a doença que o consome. De outro lado, os artigos de base quantitativa aqui apresentados, são verdadeiras pesquisas de inteligência que corroboram para o entendimento da magnitude do quadro de morbidade hoje presente no país e os fatores de risco e proteção frente a eles. Esse tipo de pesquisa, teoricamente tem a finalidade de fundamentar políticas adequadas para o setor saúde. Ambos os enfoques são de interesse prático e teórico.

Acesse Ciência & Saúde Coletiva edição 26.1, de fevereiro de 2021, no site da revista e na base SciELO.

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