Saúde Coletiva – A Abrasco em 35 anos de história

A expressão saúde coletiva é empregada, no Brasil, por estudantes, pesquisadores e professores nas universidades, por trabalhadores e gestores do Sistema Único de Saúde (SUS) e também por ativistas e atores ligados aos mais variados movimentos sociais. Faz parte do vocabulário de diversos personagens e serve de inspiração para eles. Dessa maneira, o campo da saúde coletiva, depois de uma longa jornada, mantém-se como potente produtor de ideias e sinergias entre todos aqueles que se interessam pela defesa dos melhores patamares de qualidades de vida e saúde para a sociedade.

Ao abrigar diferentes iniciativas no terreno da produção científica e da militância política, a saúde coletiva se coloca também como parte de uma longa trajetória cujas bases remontam aos primeiros debates acerca da reorientação do conceito e das práticas de saúde.

Não é à toa que uma das mais atuantes entidades nesse campo é a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), que tem em sua matriz original uma inegável preocupação com a renovação do ensino das profissões de saúde e com a defesa de modelos de organização de serviços de saúde mais permeáveis à participação social.

Por essa razão, em seu percurso a instituição também participa de debates e iniciativas em torno de uma agenda de direitos de cidadania, que inclui os chamados direitos de segunda geração e envolve iniciativas no terreno da participação dos cidadãos na riqueza material e na prosperidade coletiva. Os exemplos mais marcantes dessa agenda são acesso à moradia, à educação e à saúde (Carvalho, 2011).

A emergência da Abrasco, em 1979, é por definição um fato histórico. Naquela época, o país experimentava, por um lado, uma visível degradação do tecido social, com a expansão e a radicalização de problemas sociais relacionados à carestia, à fome, às doenças e epidemias. Por outro, vivia uma ditadura que em boa medida tinha sido a responsável pela intensificação daqueles problemas, mas que em fins dos anos 1970 já começava a dar sinais de abertura política e esperança de construção de novos patamares de vida para os brasileiros.

 

 

 

 

 

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