Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da UERJ comemora 40 anos


As atividades iniciais do Seminário de Comemoração dos 40 anos do Programa de Pós-Graduação em Saúde do Instituto de Medicina Social da UERJ, contou com a participação de nomes importantes da história do IMS. O Instituto, criado no final da década de 1960 por professores da Faculdade de Ciências Médicas, foi a todo o tempo, aclamado pelos presentes. “Desde a sua fundação, o IMS vem se caracterizando pela interdisciplinaridade, espírito crítico, compromisso com a realidade social brasileira e respeito ao livre debate de ideias”, ressaltou Cid Manso, diretor do IMS. Afirmando sentir grande orgulho em fazer parte dessa história, Cid enfatizou que a influência que o IMS teve na história das políticas públicas de saúde brasileira é muito significativa. “Somos 47 professores, tão poucos, tão pequenos. E como conseguimos produzir um conjunto de intervenções nas políticas? Considero fabulosa essa história. Nossa sinergia é maior que nossa estrutura física e pessoal”, disse.

Cláudia Leite, coordenadora do PPGSC-IMS, reforçou o que muitos já haviam dito em suas falas: o PPGSC tem o poder de articular prática e teoria. “É só observar a maior parte dos temas de nossas teses e dissertações. Os temas fazem parte de um contexto maior. O nosso desafio está em garantir a produtividade, exigência das instâncias regulamentadoras da pós-graduação, articulada sempre com a qualidade. O SUS é nosso foco como também a redução das desigualdades sociais. Acredito que essa é a cara do IMS”, pontuou.

A mesa “1974 – 2014: da Medicina Social à Saúde Coletiva”, que reuniu Hésio Cordeiro, Jane Sayd e Madel Luz, sob a coordenação de Sérgio Carrara, contou um pouco dessa rica história. Hésio foi o primeiro a trazer os fatos que construíram a história do Instituto de Medicina Social, mas não apenas do IMS. Madel Luz afirmou que é “impossível separar Hésio Cordeiro sem misturar sua biografia com os acontecimentos da história da saúde e do movimento sanitário no Brasil em anos recentes”. Sua participação na criação do Instituto de Medicina Social da UERJ, suas atividades como professor, pesquisador e, mais recentemente, presidente do INAMPS, asseguram-lhe um espaço privilegiado nos acontecimentos que marcaram a saúde brasileira. Hésio contou que durante 5 anos trabalhou como clínico “competente e dedicado” como costuma afirmar e lá encontrou um sonhador, um grande clínico que encarnava a melhor estirpe liberal, o Dr. Piquet Carneiro e dois inquietos: Nina Pereira Nunes e Moisés Szklo. O que os unia era um sentimento de profunda insatisfação com as condições da prática médica vigente e a crítica a um sistema de saúde excludente e iníquo que era preciso repensar.

Madel, em meio a tantas histórias, ressaltou que foi a primeira a ser doutora na área e que quando foi envolvida a instaurar o Mestrado em Saúde Coletiva, na UERJ, o IMS já carregava a magnitude de local que alimentava o pensamento de preocupação no adoecimento das populações. “Eu abracei de imediato a ideia porque a proposta era multidisciplinar. Abracei por se caracterizar uma perspectiva para além da Medicina Social, multidisciplinar, por meio dos diversos olhares disciplinares. Nesse sentido, fui levada a ver a gênesis das instituições médicas. E ainda mais que isso, a relação de submissão entre profissionais de saúde diante de suas instituições”. Madel considerava a frente do seu tempo a proposta do IMS: pensamento e ação política e ainda acadêmico. Para ela, essa é a marca do Instituto e que durante muito tempo guiou os pesquisadores nesse processo histórico. “Quero salientar a ideia de ‘Medicina Integral’, que parece que foi apagada das nossas memórias. Mas foi o início de tudo, antes mesmo do pensamento do que vem a ser hoje ‘Saúde Coletiva’. Me lembro como hoje, que no ambulatório do Hospital Pedro Ernesto, no Rio, na segunda metade dos anos de 1970, a equipe era composta por um psicólogo, um assistente social, enfermeiro e sociólogo (que era eu). Então esse grupo de estudos se perguntava ‘que tipo de medicina se criará para as pessoas que eram atendidas pelo ambulatório. Isso era muito avançado para a época e considero que hoje ainda é. Se essa perspectiva fosse utilizada pelos atendimentos em comunidades, bairros, ainda seria um avanço”, afirma.

Madel enfatizou que a nota 7 que o PPGSC-IMS conquistou junto a Capes já deveria ter sido conquistado há tempos. “E acrescento que não conseguimos essa nota sem lutas, sem sacrifícios, principalmente porque o IMS é original em suas perspectivas teóricas e práticas desde sua ‘fundação’”, disse. Jane Sayd, aproveitando as falas da Madel, afirmou ter sido um “absurdo” a ambição, a ousadia de os pesquisadores estudarem de tudo. Entretanto, isso foi uma marca construtiva do IMS e do PPGSC. “O aspecto inclusivo foi fundamental para o IMS. Essa proposta criou pessoas extremamente políticas”, disse.

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