Lígia Bahia discute a situação da saúde do estado do Rio na Rádio Globo

Lígia Bahia e Jorge Darze foram entrevistados no estúdio da emissora, no Rio de Janeiro – Foto: Divulgação Rádio Globo

Com uma dívida total acima de R$ 6 bilhões, o estado do Rio de Janeiro vê sua estrutura definhar, com investigações em diversas pastas, com a da saúde, inquerida nos tribunais desde 2014  por descumprir o empenho de 12% da receita total aferida no setor, como preconiza a  Emenda Constitucional 29/2000. Para debater a situação e pensar perspectivas frente ao momento eleitoral, o programa “Café das 6”, da Rádio Globo FM, convidou a professora Lígia Bahia, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC/UFRJ) e integrante da Comissão de Política, Planejamento e Gestão em Saúde (CPPGS/Abrasco) e o médico Jorge Darze, presidente da Federação Nacional dos Médicos. Os especialistas foram entrevistados no estúdio da emissora pelos jornalistas e apresentadores Fernando Ceylão e Carolina Morand na manhã de segunda-feira, 27 de agosto.

A abrasquiana apontou a necessidade de uma liderança que reúna esforços conjuntamente com complexo científico da saúde fluminense como primeira ação de uma estratégia-ponte para sair da situação falimentar da pasta. “É possível articular o complexo de ciência e tecnologia do Estado, que conta com 4 universidades e a Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) e fazer uma estratégia-ponte. Mas é preciso liderança. […] Quem é o secretário estadual de saúde? Ninguém sabe o nome dessa pessoa. [É o médico Sérgio D’Abreu Gama]. O único nome de secretário que a gente lembra é o secretário que está preso. […] Nos acostumamos com a não-liderança na saúde, mas precisamos de pessoas competentes em atrair a inteligência para solucionar o problema”,  disse a professora.

Lígia destacou também o erro estratégico que foi transferir a gestão de unidades para as Organizações Sociais. “Se tentou uma solução com a contratação das Organizações Sociais que também não deu certo. A ideia foi de não fazer mais uma gestão direta, mas sim uma gestão terceirizada, de entregar a gestão para as OS. Só que também foram objetos de acusação de corrupção e vimos no que deu. Os hospitais estaduais que não têm insumos, a responsabilidade sequer é da Secretaria estadual, mas sim das OS que os administram”, ressaltando que existem soluções fáceis e possíveis de serem adotadas, como o prontuário eletrônico e um sistema de regulação transparente que permita o usuário saber sua posição na fila de serviços de maior complexidade. “Mas, até para que isso ocorra, é importante que haja renovação dos quadros de governo”, concluiu. Clique no link e ouça o bloco. 

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