A única forma de proteger as cidades da febre amarela urbana é ter percentual bastante alto de vacinação, diz Gustavo Bretas

Faltando uma semana para o fim da campanha de vacinação contra a febre amarela, cerca de 1 milhão de moradores da Baixada Santista ainda precisam se vacinar. A pequena cobertura vacinal pode facilitar a disseminação da doença, segundo especialistas.

O Governo do Estado tem o objetivo de imunizar 1,5 milhão de pessoas na região durante o mutirão, iniciado em 25 de janeiro. A campanha terminaria no sábado passado, mas teve de ser prorrogada até 2 de março por causa da baixa adesão. De acordo com os últimos balanços das prefeituras, 473.535 moradores receberam a dose, o que representa 30,5% da meta. Com a morte por febre amarela de um morador de Itanhaém, a preocupação dos especialistas é que o grande número de gente desprotegida permita o avanço da doença. “Se continuar esse fluxo, com 30% dos pacientes se vacinando, certamente teremos risco”, afirma o infectologista Ricardo Hayden, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “Quanto mais pessoas estiverem imunizadas, menor a chance de a gente ter uma epidemia”.

O epidemiologista Gustavo Bretas, membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), aponta que o Aedes aegypti não é tão bom hospedeiro de febre amarela como é de dengue, mas que existe o perigo de a doença tornar-se urbana, o que seria uma catástrofe. “Isso levaria a um percentual de mortes bastante alto, então é importante que as pessoas se conscientizem: a única forma de proteger as cidades da febre amarela urbana é ter percentual bastante alto de pessoas vacinadas”. O ciclo de transmissão atual é o silvestre, em áreas de mata, por meio dos mosquitos Haemagogus e Sabethes.

O morador de Itanhaém que morreu vivia em uma zona rural e a vicentina que teve a doença confirmada passou as festas de fim de ano em um condomínio cercado de mato em Nova Lima (MG). Segundo as prefeituras, há ainda 12 casos em investigação na região, sendo que um deles, de um morador de Santos que trabalhava na Capital, evoluiu para óbito. Em São Vicente, das oito ocorrências em investigação, quatro são novas, informadas ontem ao Expresso. Três casos antes suspeitos foram descartados. Quem nunca tomou a vacina na vida – uma dose dada antes da campanha é suficiente para proteger para sempre – e não tem contraindicações deve se vacinar. “Parece que a população está fugindo com medo dos efeitos adversos. É uma vacina bastante eficaz e os riscos são raros”, diz o infectologista Leonardo Weissmann, consultor da SBI.

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