Inclusão social e zika são temas do simpósio internacional de saúde da população negra


Alçar dimensões maiores, valendo-se de visões e experiências de demais países para fortalecer sua estratégias de efetivação na saúde pública brasileira dentro desta segunda década do século XXI, entendida pelo movimento como a Década dos Afrodescendentes. Essa é a perspectiva do Primeiro Simpósio Internacional de Saúde da População Negra, que acontecerá de 15 a 17 de novembro, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O prazo para submissão de trabalhos encerra-se neste domingo, 18. Acesse a plataforma de inscrições e participe!

“Planejamos fomentar o debate, o conhecimento de experiências exitosas e o fortalecimento de redes de educação e saúde no que tange a melhoria da qualidade de vida e saúde da população negra”, explica Fernanda de Souza Bairros, professora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e da graduação em Saúde Coletiva da UFRGS.

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O evento constará de relatos de experiências no Sistema Único de Saúde (SUS), produções acadêmicas de ensino, pesquisa e extensão, práticas no terceiro setor e nos movimentos sociais no tocante ao tema do Simpósio. A programação procura contemplar a diversidade de abordagens sobre a temática, bem como, agregar atividades relacionadas a cultura afrobrasileira. Entre os destaques, Zakiya Carr Johnson, diretora de raça e etnia do Departamento de Estado da Presidência dos Estados Unidos, e Fernanda Lopes, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA/ONU). “Esperamos uma capilarização da PNSIPN nas gestões publicas de saúde, na academia e o fortalecimento da pauta para o controle social”, ressalta Fernanda Bairros, também sobrinha de Luiza Bairros, liderança brasileira na luta da população e das mulheres negras, falecida neste ano. Leia a entrevista abaixo:

Abrasco: Qual a importância desse evento na atual perspectiva de luta pelo SUS e suas políticas inclusivas, incluindo a política setorial de saúde da população negra?
Fernanda de Souza Bairros: Planeja-se que o evento seja um espaço de interação entre profissionais de saúde, gestores(as) e pesquisadores(as) envolvidos(as) com a temática e defesa do SUS.Nesse sentido, além da partilha de saberes, práticas, resultados de pesquisa e experiências de gestão, o seminário tem o objetivo de fortalecimento da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, o combate ao racismo institucional e a redução de iniqüidades de raça/etnia nos indicadores de saúde. Um evento sobre essa temática e no atual contexto político torna-se de grande relevância não somente por fortalecer a política setorial de saúde da população negra, mas principalmente para garantir o direito de acesso universal e equânime da saúde. A luta é para que não haja retrocesso!

Abrasco: Quais são os nomes de destaque que estarão nas mesas e palestra?
Fernanda de Souza Bairros: A Comissão Técnico-científica do Simpósio Internacional de Saúde da População Negra será composta por pesquisadores da UFRGS e profissionais do SUS com reconhecimento na área das políticas públicas em saúde da população negra. Dentre os nomes de destaque teremos a presença da doutora Zakiya Carr Johnson, diretora de Raça, Etnicidade e Inclusão Social do Departamento de Estado do governo dos Estados Unidos,  e da doutora  Fernanda Lopes, representante da UNFPA no Brasil. Elas irão discutir sobre raça, etnia, inclusão social e saúde na Década Internacional de Afrodescendentes, tema de nossa mesa de abertura.

Abrasco: Quais outros destaques do evento?
Fernanda de Souza Bairros: Além das diversas mesas de debates e duas conferências internacionais, haverá premiações de seis trabalhos, sendo três experiências inovadoras e três destaques em pesquisa em Saúde da População Negra. Haverá também o lançamento das publicações Saúde da Mulher Negra, organizado pela – ONG Maria Mulher, e do Painel de Indicadores do SUS/Saúde da População Negra, publicado pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS/OMS). Outro lançamento será o da campanha Mais Direitos, Menos Zika– promovida pelo UNPFA. Pesquisas já apontam que oito em cada bebês com danos da zika, nascem de mães negras.

Abrasco: Ao final, o evento espera que resultado sobre a questão da saúde da população negra?
Fernanda de Souza Bairros: O evento planeja fomentar o debate, o conhecimento de experiências exitosas e o fortalecimento de redes de educação e saúde no que tange a melhoria da qualidade de vida e saúde da população negra. Esperamos uma capilarização da PNSIPN nas gestões publicas de saúde, na academia e o fortalecimento da pauta para o controle social.

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