Revista Radis analisa os fatores da redução da cobertura vacinal no Brasil

A revista Radis traz em sua primeira capa do ano um cenário preocupante: o recuo da cobertura vacinal no país. Assinada pelo jornalista Luiz Felipe Stevanim, a matéria traz dados expressivos. Até o fim de novembro passado, foram registrados 10.163 casos de sarampo, segundo dados do Ministério de Saúde. O país, que possui o certificado de área livre da doença outorgado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) e oferece a vacina gratuita pelo SUS desde 1995, pode perder esse reconhecimento. Em 2017, a cobertura da vacina tríplice viral, responsável também pela imunização da caxumba e da rubéola, ficou abaixo da meta: a primeira dose alcançou 90,1% do universo de cobertura, e a segunda dose ficou em 74,9%, segundo dados do Programa Nacional de Imunização, o PNI.

As coberturas contra poliomielite e cinco outras doenças incapacitantes – imunizadas pela vacina pentavalente – também apontam a mesma direção. A cobertura da vacina contra a pólio ficou em 2016, pela primeira vez, mais de 10 pontos percentuais abaixo da meta, repetindo a triste marca no ano seguinte: cobertura de 84,4%, em 2016; e de 83,4%, em 2017. Já a pentavalente alcançou apenas 82,2% da população indicada no mesmo ano de 2016.

Em agosto do ano passado, quando o índice de mortalidade infantil deu o primeiro sinal de elevação, contrariando uma série histórica de 15 anos de queda, a Abrasco sinalizou, por meio de uma nota especial, a complexa cadeia de fatores que podem ter influenciado o aumento do número de mortes de crianças com menos de 1 ano: o contexto de fragilidade política e econômica; a falsa sensação de segurança em relação às doenças; o crescente movimento anti-vacinas, com divulgação de informações falsas e, fortemente, a crise de financiamento e a piora dos serviços do SUS, ambas agravadas com a aprovação da Emenda Constitucional 95 (EC 95), em dezembro de 2016.

A  matéria articula trechos da nota da Associação e ouviu também José Cássio de Moraes, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e integrante da Comissão de Epidemiologia da Abrasco: “A crise repercute porque se reduz o número de funcionários nas salas de vacina. Aqueles que eram específicos para a vacinação passam a exercer outras atividades dentro da unidade de saúde, como curativos e atenção a pacientes”, relata José Cássio.

Outra fonte ouvida foi Carolina Barbieri, médica pediatra e professora da Universidade Católica de Santos, que apresentou parte de sua tese de doutorado, intitulada “Cuidado infantil e (não) vacinação no contexto de famílias de camadas médias em São Paulo/SP”, em sessão no X Congresso Brasileiro de Epidemiologia, realizado em Florianópolis em 2017. “A decisão de vacinar ou não é tomada com base em uma percepção subjetiva do risco, influenciada por medo, e não por uma dimensão racional. São pais e responsáveis pelas crianças com escolaridade e acesso à internet, que são expostos a notícias e depoimentos falsos principalmente a respeito dos efeitos adversos e riscos das vacinas — e assim tomam uma decisão também arriscada: não vacinar” esclarece Carolina. Clique e acesse a matéria completa. 

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