Programa Mais Médicos fortalece sistema de saúde brasileiro, dizem especialistas


O programa Mais Médicos teve importante contribuição para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, na opinião de participantes de seminário organizado na segunda-feira dia 5 de dezembro, pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) em Brasília. O evento teve como objetivo analisar os resultados dos três primeiros anos de implantação do provimento emergencial de médicos — um dos eixos do programa — e estabelecer uma agenda de pesquisas, fontes de financiamento e marcos comuns de avaliação.

“A OPAS tem o compromisso de fomentar estudos e apoiar na divulgação dos resultados do Mais Médicos dentro e fora do Brasil, tendo em vista que os países das Américas têm desafios sanitários semelhantes e podem se beneficiar da experiência do programa”, afirmou o representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Joaquín Molina.

O secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Jurandir Frutuoso, destacou a participação da OPAS e de todos os demais atores que fazem ou fizeram parte do programa. “O toque de pele, o olhar no olho também fazem parte da cura. E é isso que os médicos cubanos trouxeram. Precisamos avaliar como fortalecer a cooperação fazendo com que essa experiência possa contaminar no bom sentido outros profissionais também.” Segundo a conselheira do Conselho Nacional de Saúde (CNS) Juliana Acosta Santoro, o Mais Médicos tem sido uma política eficaz para todos os brasileiros. “No CNS, represento os trabalhadores e trabalhadoras da saúde, uma população que indiretamente também se beneficiou com a ampliação do acesso aos serviços de saúde. O programa vem superando os vazios assistenciais e inequidades de acesso à saúde, em lugares onde médicos e médicas brasileiras ou não tinham interesse ou não conseguiam se estabelecer”, declarou.

A vice-presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), Iolete Arruda, lembrou que sua instituição se empenhou em defender o programa no Congresso Nacional. “Quem vive na base sente a dedicação, a atenção, o carinho, o cumprimento da carga horária desses profissionais cooperados. O CONASEMS é a instituição mais beneficiada com o programa, porque é no município que tudo acontece. E os municípios querem continuar com esses profissionais, que tornam o SUS mais forte.”

A diretora do Conselho da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), Leonor Pacheco, também ressaltou a participação da entidade desde o início da iniciativa. “A ABRASCO está à frente e lado a lado de todos que desejam a cobertura universal de saúde”.

Para a coordenadora-geral de Expansão e Gestão da Educação em Saúde, Erika Rodrigues, é uma satisfação pessoal e profissional chegar aos três anos do programa e garantir a continuidade da iniciativa. “É inegável o papel desse programa no fortalecimento do SUS, da atenção básica e como um capítulo da reforma sanitária brasileira”.

O secretário de Vigilância em Saúde substituto do Ministério da Saúde, Alexandre Fonseca, concorda. “É uma das maiores e melhores iniciativas de políticas públicas de saúde, que visou cobrir essa distorção dos vazios assistenciais do país. Sem dúvida é a iniciativa mais concreta realizada no Brasil nos últimos anos”, analisou.

A ministra conselheira da embaixada de Cuba no Brasil, Cristina Luna, avaliou que a troca de experiências foi benéfica para ambos os países. “Os nossos profissionais se dizem muito satisfeitos de estarem atendendo a população mais pobre e incidir na transformação do estado de saúde dos brasileiros. E eles voltam para Cuba com uma nova experiência de atenção primária. Eles aprenderam muito também com o Brasil e com o SUS”.

O “Seminário Programa Mais Médicos (PMM): Resultados, Lições Aprendidas e Desafios” ocorre até esta terça-feira (6), na sede da OPAS/OMS.

Mais Médicos

Criado em 2013 pelo governo federal, o programa Mais Médicos tem o objetivo de suprir a carência desses profissionais nos municípios do interior e periferias das grandes cidades. A representação da OPAS/OMS no Brasil colabora com a iniciativa intermediando a vinda de médicos de Cuba para atuar em unidades de saúde do país.

Os médicos cubanos atuam na área de atenção básica, atendendo pessoas com diabetes, hipertensão e hanseníase, entre outras doenças, além de promoverem ações educativas. Eles também estão entre os profissionais que trabalham na prevenção e diagnóstico do vírus zika e no acompanhamento de crianças com microcefalia.

Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE) — com aproximadamente 14 mil entrevistas — apresentou avaliações positivas da população sobre o desempenho dos profissionais brasileiros e estrangeiros que integram a iniciativa. Do total de entrevistados, 81% possuem baixa renda e 95% afirmaram estar satisfeitos com o programa. De 0 a 10, deram nota 8,4. Entre os indígenas, a média foi de 8,7.

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Um comentário sobre “Programa Mais Médicos fortalece sistema de saúde brasileiro, dizem especialistas

  1. Realmente uma grande experiência para administração pública brasileira. Mas o texto deixa implícito que o médico brasileiro não toca na pele, não olha nos olhos e não tem interesse na periferia e regiões isoladas do país. O que é uma interpretação errada. O médico brasileiro, apenas recentemente, começou a ser formado para a Atenção Primária. Além disso, todo ser humano busca qualidade de vida, na qual está incluído qualidade de moradia, trabalho e salário. Sendo assim, se o médico brasileiro encontra condições melhores para morar, trabalhar e de salário fora da atenção primária, este não irá por vocação, altruísmo ou compaixão buscar o caminho contrário. Assim como o médico cubano, que é ser humano igual ao médico brasileiro. Qual o interesse deles em vir ao Brasil? O texto deixa implícito que foi a vocação, o altruísmo, a compaixão. Mas na verdade foi o interesse financeiro. No Brasil, precisamos começar a dizer a verdade e nossas instituições precisam ser mais sérias. Sou médico (brasileiro), com formação em atenção primária (toco na pele, olho nos olhos), participei do programa Mais Médicos, o qual do ponto de vista de trabalhador, considerei como péssimo vínculo profissional (não tinha nenhum direito ou garantia trabalhista). Fui colega de trabalho e moradia de médico Cubano, proveniente de Santiago de Cuba. Este também sofreu muito. Sofreu da saudade de sua família, sofreu pelas condições de moradia e de trabalho. Mas aqui ele ganhou 16 vezes o salário que recebia em Cuba, assim pôde comprar muitas coisas pra levar para casa (principalmente eletrônicos). O seu sonho era voltar pra casa e poder ver sua filha de 2 anos crescer, mas a necessidade falava mais alto. A necessidade sempre fala mais alto.

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