Saúde é principal problema, mas sua solução não passa pelo legislativo


Com a abertura do ano legislativo e a renovação do Congresso Nacional, a Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV) divulgou pesquisa sobre a percepção e expectativa do eleitorado sobre a atuação dos deputados federais e os grandes temas do país. Como nos últimos anos, a Saúde aparece em primeiro lugar – 70% do total das indicações, dentre três opções – como principal tema sobre os quais os deputados deveriam dar mais atenção na produção de leis. Na sequência, a Educação aparece com 60,6% de citações dentro o universo de respostas.

“Os dados mostram um grupo de pessoas que se sentem muito pouco satisfeitas na área da saúde, chegando a quase 80% em algumas regiões metropolitanas, dentro de um quadro de insatisfação geral com os serviços públicos, que alcança 79,8%, na média pesquisada”, diz Luís Felipe G. da Graça, pesquisador do DAPP/FGV e doutor em Ciência Política Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IESP/Uerj). O índice de insatisfação é a soma de 39,7% de insatisfeitos e de 40,1% de muito insatisfeitos.

No entanto, quando perguntados sobre os esforços de reforma que devem ser feitos pelos deputados, seguindo a mesma estrutura de questão, 52,5% dos respondentes disseram que os esforços devem recair sobre “leis de processo e punição de crimes”. Foram também apresentadas outras temáticas de reforma em voga nos meios de comunicação, como trabalhista, política, tributária e dos serviços públicos, entre outras. A última, que diz diretamente sobre o cotidiano da Saúde e da Educação – justamente as temáticas mais citadas na mesma pesquisa, alcançou 29,8%.

Para Graça, o cenário mostra a descontinuidade que o eleitor tem entre percepção dos problemas e a ordem prática para resolvê-los. “Quando se fala dos deputados, a primeira coisa que o eleitor associa é fazer lei. O eleitor não conhece o SUS como sistema, não vê o legislativo como um ator que vai afetar o provimento de recursos e seu funcionamento”. Para o pesquisador, essa dificuldade de compreensão vem, entre outros motivos, do federalismo na ordenação do Estado. “Quando se vê uma política como o SUS, que é federativa, isso fica um pouco hermético. Apesar de a Saúde ser uma questão do dia a dia para ele, fica difícil de ele fazer a ligação entre o papel do legislativo na política de saúde. O que fica na cabeça é a contratação de médicos pelo Executivo, e não a gestão do sistema pelas leis criadas pelos deputados”, completa Luís Felipe da Graça.

A pesquisa, que faz parte de um levantamento maior sobre a percepção do eleitor sobre o legislativo, foi realizada com 3.600 pessoas entre os dias 17 a de 30 de outubro do ano passado, em pleno segundo turno das eleições presidenciais, e abarcou 21 municípios: Distrito Federal e em regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife.

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