A gravidez na adolescência no Brasil não ocorre em um cenário de permissividade sexual, diz estudo


Uma pesquisa que desde 2001 vem avaliando dados sobre a gravidez na adolescência em três capitais brasileiras – Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre – traz novos indicativos sobre aspectos dessa questão que cada vez mais desperta o debate público, já que nos últimos vinte anos houve no Brasil aumento de fecundidade entre jovens de 15 a 19 anos.

Segundo a autora do trabalho “Sexualidade e Reprodução Juvenil no Brasil: em que contribuem os inquéritos sobre sexualidade”, a antropóloga Maria Luiza Heilborn, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), contrariamente ao senso comum, a gravidez na adolescência no Brasil não ocorre em um cenário de permissividade sexual. Os dados da pesquisa indicam que a gravidez acontece com muita freqüência dentro de uma relação estável com um namorado.

Maria Luiza foi coordenadora nacional da Pesquisa Gravad (Gravidez na adolescência: estudo multicêntrico sobre jovens, sexualidade e reprodução no Brasil), trabalho de uma equipe composta por profissionais da UERJ, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).  Os resultados do estudo foram compilados e publicados no livro “O aprendizado da sexualidade: reprodução e trajetórias sociais de jovens brasileiros”, lançado durante o Congresso Mundial de Saúde Pública.

O trabalho de campo para a pesquisa foi realizado em 2002. O objetivo principal dos pesquisadores era descrever as características sociais dos jovens e investigar as diferentes trajetórias de desenvolvimento de sua sexualidade e esclarecer, particularmente, um tema muito discutido: a gravidez na adolescência.

Os resultados contrariam a ideia comum de que a gestação fosse a grande causa para a evasão escolar por parte das jovens. De acordo com a pesquisa, 29% das entrevistadas relataram um episódio de gravidez na adolescência, mas naquele momento 40,2% já estavam fora da escola. Entre os entrevistados, 70% declarou ter usado preservativos e/ou contracepção na primeira relação sexual, mas freqüência do uso foi decaindo com a “estabilidade” do relacionamento.

 

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