Intoxicações por agrotóxico custam muito caro aos cofres públicos

O Jornal do Commercio, de Pernambuco, entrevistou Luiz Meirelles, do GT Saúde e Ambiente da Abrasco, sobre o risco de intoxicação por agrotóxicos que os trabalhadores do campo estão submetidos. Leia trechos da matéria “Agrotóxicos no centro de debate acirrado”:

Assim como a territorialidade de área plantada no Brasil – 62,6 milhões de hectares –, os números que envolvem o mercado agrícola e de consumo de
agrotóxicos também são grandes. No caso do sistema de saúde, por exemplo, estima-se que cada US$ 1 gasto com defensivos agrícolas, é gerado um custo de até US$ 1,28 em tratamentos de intoxicação. O dado é de pesquisa do economista do IBGE, Wagner Soares.

O professor e pesquisador da Fiocruz Luiz Carlos Meirelles, crítico ao uso de agrotóxicos, acredita que é possível haver um plantio mais sustentável e
usando esses produtos químicos em menor escala. Ele ainda pondera que muito se gasta com esse setor, mas pouco é revertido para treinamento e
conscientização do produtor. “Existem estudos toxicológicos que podem custar até US$ 200 milhões. Só para você ter conhecimento dos efeitos desses produtos nos humanos. Por outro lado, não há investimento nos trabalhadores do campo para eles saberem usar esse material de forma menos nociva e usando os equipamentos de proteção necessários”, comentou ele, que atua no Grupo Temático Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 80% dos casos de câncer no mundo vem da exposição a agentes químicos. “Uma intoxicação aguda leva a pessoa afetada, que geralmente é o trabalhador rural, a uma unidade pública de saúde. No caso de uma sequela crônica, o paciente passa anos buscando atendimento, que em geral custam muito caro para os cofres públicos”, resumiu.

Na opinião de Andreza Martinez, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindiveg, se os produtores respeitarem as informações das embalagens dos
defensivos, o uso desses produtos torna-se seguro para quem planta e para quem consome, sem afetar o meio ambiente. “Esses produtos devem ser comprados e usados com orientação de um engenheiro agrônomo. Para usar, é imprescindível o uso de EPI. Se todos os requisitos forem respeitados, o uso desses produtos é seguro”, disse.
O engenheiro agrônomo do IPA discorda: “Quem tem conhecimento de causa sabe que o uso de agrotóxicos é acumulativo. Você pode usar por anos e não perceber as alterações que se dão na saúde, usar um produto químico e achar que não trará nenhum efeito à saúde. Além disso, embora haja muito esforço dos órgãos fiscalizadores, não há um acompanhamento adequado”, ponderou.

Matéria completa, aqui.

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