Gulnar Azevedo: “Defendo o SUS, pois é o melhor modelo que se pode ter”

O Jornal do Commercio publicou ontem (02/12) matéria sobre a atuação de médicos recém-formados no Brasil: só 28,3% querem trabalhar em unidade básica de saúde. Gulnar Azevedo, presidente da Abrasco, foi entrevistada para a reportagem. A epidemiologista afirma que o currículo ainda é muito voltado para especializações, e que o direcionamento dos profissionais para postos de saúde ainda é pouco valorizado. Confira trechos:

 O aumento da procura por registro profissional após o edital mais recente do Mais Médicos fez Conselhos Regionais de Medicina montarem uma força-tarefa para emitir milhares de CRM – sigla que nomeia a cédula de identidade médica, um documento obrigatório que atesta legalidade do exercício da função. A abertura de vagas no programa provocou uma corrida de recém-formados, que teoricamente, em sua maioria, gostariam de fazer residência médica e não teriam a expectativa de início imediato da prática médica após a colação de grau nem de trabalhar em unidades da atenção básica de saúde – uma área onde atuam os profissionais do Mais Médicos. As perspectivas profissionais dos concluintes colocadas à tona na pesquisa Demografia Médica 2018, do Conselho Federal de Medicina (CFM), deixam transparecer que a realidade atual percorre na contramão dos desejos de recém-formados, que – em parte – têm auxiliado a preencher vagas da atenção básica, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social.

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Saúde coletiva

Presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a médica epidemiologista Gulnar Azevedo sublinha que a experiência vivida no Brasil com os médicos cubanos foi essencial para trazer um debate sobre a formação humanística. “Eles fizeram outro tipo de relação na atenção básica: escutavam e acompanhavam de perto os problemas da população.” Para ela, a formação médica no País ainda é muito voltada à especialização. “A abordagem focada no trabalho em postos de saúde, por exemplo, ainda é pouco valorizada. Para isso mudar, são necessários tempo, incentivo e melhores condições de trabalho”, acrescenta Gulnar, sem deixar dúvidas sobre a valia da cobertura pública universal e igualitária em saúde. “Defendo o SUS (Sistema Único de Saúde), pois é o melhor modelo que se pode ter. Mas é preciso mudar a lógica de formação de recursos humanos, investir em plano de carreira e em condições dignas de trabalho”, conclui a epidemiologista.

Matéria original aqui. 

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