Glória Teixeira fala sobre novas tecnologias em estudo contra o Aedes Aegypti


Mesmo diante dos avanços das pesquisas envolvendo as doenças dengue, chikungunya e zika transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a prevenção ainda é continua sendo a maneira mais indicada para evitar a reprodução do vetor. Em uma palestra realizada nesta sexta­-feira, dia 29 de julho, na Fundação Escola de Saúde Pública (Fesp), em Palmas, Glória Teixeira, membros da diretoria da Abrasco e pesquisadora de referência internacional na área de gravidade das infecções produzidas pelo mosquito Aedes aegypti, destacou pesquisas recentes na área, a importância da investigação epidemiológica, comentou o desenvolvimento da vacina contra a dengue, as investigações sobre relação do vírus zika com microcefalia e falou da importância do combate ao mosquito, entre outros assuntos.

O momento reuniu profissionais da saúde e estudantes de medicina e técnicos da Secretaria de Estado da Saúde. A pesquisadora explicou que a dificuldade de controlar o vetor ocorre no mundo inteiro, não é só no Brasil. “Não é que não se diminui a infestação, diminui quando nós trabalhamos corretamente e quando a sociedade ajuda a eliminar os criadores potenciais, mas não estamos conseguindo diminuir a níveis tão baixos que impeçam a transmissão do vírus. Por isso que está se desenvolvendo novas tecnologias. Tem algumas que são promissoras, mas ainda não dispomos de alguma coisa neste momento que podemos dizer que é mais efetivo”, ressaltou.

Segundo a pesquisadora, as medidas que continuam sendo indicadas em todo o mundo são os cuidados redobrados da sociedade no combate ao mosquito. “Nós temos que continuar pedindo colaboração a toda a população, orientando que não deixe criadores em entorno de suas casas, vasilhas com água e principalmente dentro de casa. Não podemos deixar focos de criadores”, reforçou.

O secretário de Estado da Saúde, Marcos Musafir, deu as boas ­vindas à palestrante e destacou que as informações repassadas sobre mosquito Aedes aegypti irão ajudar milhares de pessoas do Tocantins. “A professora Glória trouxe informações muito atuais e concretas. É muito importante conhecermos mais profundamente as diversas facetas deste pequeno mosquito para evitar a dengue, a chikungunya e a zika no Estado. E com estas informações motivando e incentivando não só o conhecimento, como também as ações de promoção e prevenção da vigilância. Precisamos promover a divulgação para que cada cidadão tocantinense faça sua parte. Cada cidadão tem que cuidar de seu ambiente de trabalho, residência, quintal e retirar qualquer cantinho de água parada, pois é um foco de transmissão deste vetor”, concluiu o secretário.

Para a enfermeira e técnica da Área Estadual de Arboviroses, Gisele Silva, a palestra é um momento de conhecimento para auxiliar no assessoramento dos municípios do Estado com relação a essas doenças e o mosquito. “Uma oportunidade fantástica para nos capacitarmos e irá nós ajudar muito para melhor orientar e assessorar os municípios tocantinenses” salientou Gisele.

Só neste ano, no Tocantins foram confirmados 4.915 casos de dengue e 1.304 casos de zika. Nenhum caso foi confirmado de chikungunya até o momento este ano. Dentre as pesquisas realizadas na área, a doutora Glória Teixeira falou sobre os mosquitos transgênicos desenvolvidos através de estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e sobre um estudo da pata da fêmea do mosquito que distribui o inseticida em quantidades mínimas para eliminar. Ela ressaltou ainda que todas estas tecnologias estão em fase de estudos.

A estudiosa informou que há uma corrida mundial para o desenvolvimento de vacinas, mas que não há vacina certa antes de sete anos, pois são estudos de longo prazo que envolve diversas fases. Ela comentou que o Instituto Evandro Chagas (IEC) irá iniciar a fase1 de uma nova pesquisa desta temática em 2017.

Glória Teixeira é Professora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA). Atua nas principais linhas de investigação dedicadas são Epidemiologia e Vigilância Epidemiológica de Doenças Transmissíveis, especialmente das arboviroses. Ela faz parte do Grupo de Investigação pesquisas voltadas para identificação de fatores de risco para desenvolvimento da Febre Hemorrágica da Dengue (FHD). Fazem parte da pesquisa alunos de graduação, mestrado e doutorado, bem como pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais, dentre elas, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Instituto Evandro Chagas, o Case Western University e o London School Hygiene Tropical Medicine.

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