Polícia invade hospital psiquiátrico na Argentina após protesto de funcionários


Pelo menos 50 feridos e oito detidos, entre eles médicos, enfermeiros e jornalistas, foi o saldo de uma violenta repressão da Polícia Metropolitana, ao tentar desalojar uma clínica de reabilitação no maior hospital neuropsiquiátrico de Buenos Aires, informou a Agência Internacional de Notícias AFP.

 

Os incidentes começaram logo cedo, na sexta-feira dia 26 de abril, quando trabalhadores do hospital psiquiátrico José Borda tentaram impedir o despejo e a demolição da Oficina 19, destinado à reabilitação de doentes mentais. Diante da resistência, cerca de 300 policiais responderam disparando spray de pimenta, gás lacrimogêneo e balas de borracha, que feriram também a doentes, jornalistas e legisladores presentes.

O governo de Buenos Aires deve levantar um Centro Cívico no espaço que ocupava a oficina demolida.

O Hospital Borda é o centro psiquiátrico mais famoso da Argentina porque, há 20 anos, internos gerenciam a primeira emissora de TV do mundo feita por doentes mentais. Mas as instalações se deterioraram fortemente nos últimos anos pela falta de recursos públicos.

 

A ALAMES – Associação Latinoamericana de Medicina Social divulgou uma nota intitulada Nuestra Protesta por la Gravísima Agresión a la Salud Pública en Argentina onde declara que atos assim revelam um 'conjunto de ataques a la salud pública latinoamericana que gobiernos nacionales y subnacionales vienen perpetrando desde hace décadas contra la salud pública en un sistemático plan de privatizar y abrir al mundo de los negocios la atención de la salud de nuestros pueblos' 

 

O presidente da Abrasco, Luis Eugenio Portela, se solidariza com a luta das pessoas com transtornos mentais, seus familiares e amigos e dos profissionais de saúde, vítimas desse ataque covarde das forças de segurança pública. 'É inadmissível que o Governo de Buenos Aires, responsável em tese pelo cuidado e pela proteção aos usuários e trabalhadores do Hospital Psiquiátrico Argentina, autorize e comande essa violência', avalia Luis Eugenio.

 

A Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME), também emitiu Nota 'contra a violenta invasão ocorrida no Hospital Psiquiátrico Argentina, intimidando e ferindo usuários e profissionais, demonstrando o extremo descaso que o Governo de Buenos Aires têm com a população de sua cidade e deixando claro os interesses econômicos e exploratórios que estão por trás de medidas desta natureza'. Paulo Amarante, presidente da ABRASME ainda conclama todos os usuários e técnicos brasileiros a manifestarem-se contra estas ocorrências e a divulgarem os fatos para o maior conhecimento possível.
 

 

Martin Di Maggio – AFP 

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