Comunidade científica manifesta-se pelo voto na democracia

Repúdio à toda e qualquer apologia à tortura e às inúmeras formas de violação de direitos humanos; contrariedade às ameaças à preservação do meio ambiente e a clareza de que a produção da ciência deve ser entendida como bem público, que depende necessariamente da pluralidade de ideias e de um ambiente democrático para progredir e produzir seus benefícios, sem ameaças, aniquilamentos e extermínios às visões contrárias ao Establishment. Esses são os pilares do manifesto “Cientistas pela democracia”, lançado no último dia 18 de outubro e que já reúne mais de mil assinaturas de reconhecidos líderes de grupos de pesquisa e de renomadas e renomados cientistas das 46 áreas de conhecimento que organizam o Sistema Nacional de Pós-Graduação.

Diversas abrasquianas e abrasquianos assinaram o documento, como Reinaldo Guimarães (Nubea/UFRJ); Naomar de Almeida Filho (UFBA e UFSB); Jairnilson Paim (ISC/UFBA); Maria do Carmo Leal (ENSP/Fiocruz); Lígia Vieira (ISC/UFBA); Cesar Victora (UFPel) ; Lígia Bahia (IESC/UFRJ); Luis Eugenio Portella de Souza (ISC/UFBA); Sandhi Barreto (FM/UFMG); Monica Angelim (PPGSAT/UFBA); Pedro Barbosa (Fiocruz); Guilherme L. Werneck (IMS/Uerj); Marcia Furquim (FSP/USP); Maria Fernanda Costa Lima (IRR/Fiocruz); Leonor Pacheco (FS/UnB); Sebastião Loureiro (ISC/UFBA); Lígia Giovanella (ENSP/Fiocruz); Celia Almeida (ENSP/Fiocruz); Ricardo Ximenes (IAM/Fiocruz); Maurício Barreto (IGM/Fiocruz); Estela Aquino (ISC/UFBA); Moisés Goldbaum (DMP/FM/USP); Rosely Schieri (IMS/Uerj); Eduardo Luiz Andrade Mota (UFBA); Claudia Leite Moraes (IMS/Uerj); Sinval Brandão Filho (IAM/Fiocruz); Rita Barradas Barata (FCM Santa Casa SP); Gustavo Matta (ENSP/Fiocruz) e Cornelis Van Stralen (FM/UFMG).

De outras áreas de conhecimento, assinam também o atual presidente da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu Moreira, os ex-presidentes da Sociedade Ennio Candotti e Helena Nader, e os ex-ministros Renato Janine Ribeiro (Educação) e Sérgio Rezende, (Ciência e Tecnologia). O documento foi pauta para veículos da imprensa comercial, como a Folha de S. Paulo. Leia abaixo o documento na íntegra e acesse aqui o PDF com as assinaturas, encerrado às 7h30 desta manhã de terça-feira, 23 de outubro.

Cientistas pela democracia

Nós cientistas brasileiros, independente de nossas posições políticas ou ideológicas, vimos a público reafirmar o nosso pétreo compromisso com a democracia. A ciência, como bem público, precisa do ambiente democrático para progredir e produzir seus benefícios. Os regimes autoritários muito frequentemente instrumentalizam a ciência para fins contrários aos interesses da sociedade. A boa ciência necessita da crítica e do contraditório, do reconhecimento das diferenças e do respeito a opiniões divergentes, todas características que somente podem florescer em ambiente democrático.
As imperfeições do processo democrático necessitam correções, porém nunca deverão servir de pretexto para que renunciemos à democracia. Também repudiamos, com veemência, toda e qualquer apologia à tortura, as inúmeras formas de violação e as ameaças à preservação do meio ambiente praticadas por regimes autoritários do passado e do presente.

O fazer ciência pela vida, pelo progresso social, pelo bem estar da população, passa pela garantia da manutenção das liberdades, dos direitos humanos, pela pluralidade de ideias, pela eliminação da intimidação, da discriminação e da tortura, e pela oposição a qualquer tipo de violência, qualquer que seja sua motivação (étnica, de gênero, sexualidade, posição política ou qualquer outra). ]

Necessitamos sempre aperfeiçoar e consolidar a democracia para que a ciência avance e possa contribuir para as transformações sociais, tão necessárias à nossa sociedade.

Em 17 de outubro de 2018.

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