93,4% dos médicos formados no interior migram para grandes centros

Desde que a lei foi promulgada, 9.137 vagas foram abertas em novos 117 cursos. A lei que criou os Mais Médicos, em 2013, incentivou também a abertura de cursos de medicina no Brasil: desde que ela foi promulgada, 9.137 vagas foram abertas em novos 117 cursos —81% delas, no interior do país.

VELHO MUNDO

A possibilidade de que os novos profissionais se fixem no interior, onde hoje trabalham os médicos cubanos que sairão do Brasil, é remota de acordo com o histórico do país: 93,4% dos doutores formados em cidades pequenas migraram para centros maiores, segundo estudo feito pela Faculdade de Medicina da USP.

VIDA REAL

“Os dados mostram como será um problema de difícil solução”, diz o professor Mario Scheffer, autor do levantamento.

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“A quantidade de novos profissionais que se formarão mostra o potencial de ocupação desses espaços. Resta saber se os novos médicos brasileiros estarão capacitados, como os cubanos, para trabalhar na atenção primária de locais desassistidos”, afirma.

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De acordo com ele, o Brasil “ainda não tem um modelo de avaliação eficiente” sobre a qualidade dos cursos de medicina. É preciso saber, ainda, “se haverá políticas de incentivo à permanência dos médicos nesses lugares, o que hoje não existe”.

FUI

Em 2017, o Ministério da Saúde abriu concurso para selecionar brasileiros para o Mais Médicos: 6.285 se inscreveram para 2.320 vagas. Só 1.626 apareceram para trabalhar. Cerca de 30% deixaram seus postos antes de um ano de serviço.

ABAIXO-ASSINADO

Uma “Carta dos Médicos Brasileiros ao presidente eleito Jair Bolsonaro” criou uma crise na comunidade médica. Assinada por 80 presidentes de entidades, ela indica Lincoln Lopes Ferreira, presidente da Associação Médica Brasileira, para assumir o Ministério da Saúde.

NÃO FUI EU

“A Fenam jamais assinaria um documento com essa característica”, afirma Jorge Sale Darze, presidente da Federação Nacional dos Médicos. A Federação Médica Brasileira também diz que não endossa o documento. A AMB não se pronunciou.

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