Critérios para classificação das revistas: apreciação da proposta de Qualis Periódico Referência

Nos dias 13 e 16 de agosto de 2019, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco – realizou reuniões que contou com a presença representantes do Fórum de Editores de Revista de Saúde Coletiva, da coordenação do Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação, membros da Diretoria e os representantes da área de Saúde Coletiva na Capes com o objetivo de analisar a proposta de novo Qualis Periódicos, divulgada pela Diretoria de Avaliação da CAPES (Ofício nº 6/2019-CGAP/DAV/CAPES). No debate foram discutidos aspectos relativos aos critérios para classificação das revistas e suas repercussões para a área da saúde coletiva e foram identificados os seguintes problemas:

    • O fato de o Qualis Periódico ter sido divulgado antes que as áreas tivessem tido a oportunidade de compartilhar os critérios adotados pelas mesmas, assim como que cada área pudesse avaliar o impacto dos resultados da proposta preliminar e propor ajustes para corrigir eventuais problemas. Destaca-se ainda que não foi ressaltado no referido documento o caráter provisório da classificação divulgada;
    • No caso da Saúde Coletiva, campo claramente interdisciplinar, a grande heterogeneidade de critérios entre áreas afins pode produzir três consequências negativas imediatas, notadamente, no que se refere à identidade da área e à sua política editorial: fuga de artigos científicos para
      periódicos de outras áreas (afins) com melhor qualificação; migração de periódicos da área de saúde coletiva para outras, cujos parâmetros lhe são mais favoráveis; subfinanciamento das revistas nacionais da área;
    • Ter adotado como critério para a definição de área-mãe apenas o volume de publicações das áreas nos dois últimos anos, seja porque este intervalo de tempo é insuficiente para apreender a tendência de publicação nos periódicos, seja porque não foram considerados outros indicadores relevantes para capturar a identidade do periódico e sua adesão às respectivas áreas;
    • Há revistas com alto fator de impacto indexadas nas bases Scopus e Web of Science na categoria saúde pública ou categorias correlatas que não são efetivamente da área de Saúde Coletiva (a exemplo da Clinical Microbiology Reviews com cite score 22,38), o que eleva artificialmente a mediana da área, prejudicando, assim, as revistas que são de fato aderentes à nossa área;
    • A imputação dos percentis de revistas que não constavam nas bases de dados a partir de modelos estatísticos de regressão baseados nas revistas indexadas a estas bases não contempla o fato de que os dados ausentes não têm um padrão de perda completamente aleatória, sendo inadequado à situação;
    • Concentrar a publicação da produção científica brasileira em periódicos de língua inglesa, dominantes nas bases consideradas no Qualis Periódico proposto, restringe o acesso desta produção aos leitores especializados. Limita, assim, o papel dos periódicos no processo de difusão de conhecimentos científicos atualizados, indispensáveis para subsidiar a formação nos diversos níveis e modalidades da Pós-Graduação, assim como a formulação e a implementação de políticas públicas nacionais.

Diante das limitações apontadas, foram pactuados as seguintes sugestões e/ou encaminhamentos:

    • Constituição de um grupo de trabalho, formado por representantes do Fórum de Editores de Revista de Saúde Coletiva, da coordenação do Fórum de Coordenadores de Programas de PósGraduação e os três membros da coordenação de área com a finalidade de aprofundar a discussão e elaborar uma proposta alternativa que melhor retrate a situação atual da área no país. A proposta deve ser finalizada até 19 de setembro de 2019, visando sua apresentação em reunião do Colégio da Vida e CTC a ser realizada na semana seguinte;
    • Ampliação da discussão entre as áreas visando buscar critérios menos heterogêneos para a classificação dos periódicos;
    • Considerar no processo de revisão da proposta pelo GT referido a necessidade de incorporação de outras bases de indexação e em especial o SciELO, assim como outros indicadores que captem melhor o perfil de internacionalização da produção científica da área e/ou valorizem a excelência da pesquisa localmente relevante (Manifesto Leiden).
    • Identificar ou desenvolver critérios qualitativos que possam ser incorporados à proposta alternativa a ser apresentada que levem em conta, por exemplo, relevância para a área, volume de artigos/ano, história, processo editorial etc.

Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2019

Direção da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO
Fórum de Editores de Saúde Coletiva – ABRASCO
Coordenação da área de Saúde Coletiva na Capes
Coordenação do Fórum de Coordenadores de Programas de Pós-Graduação – ABRASCO

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