Nota de Repúdio às agressões sofridas pela Deputada Federal Jandira Feghali


“Sim, fui agredida fisicamente pelo deputado Roberto Freire durante discussão da medida provisória 665 agora pouco. Pegou meu braço com força e o jogou para trás. O deputado Alberto Fraga, não satisfeito com a violência flagrada, disse que “quem bate como homem deve apanhar como homem” na minha direção. Fazia menção a mim” escreveu emocionada a deputada e líder do PCdoB, Jandira Feghali. A Abrasco manifesta repúdio às agressões sofridas pela deputada federal:

Mais uma vez a Câmara dos Deputados é palco de agressões machistas e incitação à violência contra mulheres. Ontem, durante a votação das MP’s 664 e 665 à Deputado Federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) foi agredida fisicamente pelo Deputado Federal Roberto Freire (PPS-SP) que a agarrou pelo braço. Em seguida agredida e ameaçada verbalmente pelo Deputado Alberto Fragra (DEM-DF) apoiando e incitando a violência contra a mulher afirmou: ” Mulher que participa da política e bate como homem, deve apanhar como homem!”. Fragra, que apoia a violência contra a mulher é o mesmo que defende arduamente a Redução da Maioridade Penal.

É inadmissível que a violência contra a mulher e o machismo sejam reproduzidos no espaço que deveria combatê-los. A cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil, uma em cada quatro brasileiras é vítima de violência doméstica. A violência sofrida por Jandira é a mesma que atinge várias brasileiras dentro das suas casas, na rua, dentro do transporte público, no trabalho. Os elevados índices de violência contra a mulher envergonham nosso país. Estamos entre os 7 países que mais matam no mulheres no mundo!

As mulheres são maioria do eleitorado. Mas, ainda estão sub-representadas, sendo menos de 10% do Congresso Nacional. Apenas 51 mulheres foram eleitas para a Câmara dos Deputados de um total de 413 Deputados. Deputada Jandira Feghali está entre elas. Foi relatora da Lei Maria da Penha, é mãe de dois filhos e a única mulher líder de um partido na Câmara dos Deputados.

As recorrentes cenas de machismo, retrocesso de direitos como a Redução da Maioridade Penal e a aprovação do PL 4330, é fruto do Congresso Nacional mais conservador desde 1964. E, só reafirma a necessidade imediata de uma Reforma Política Democrática que crie condições e amplie a participação política das mulheres. O parlamento é majoritariamente hetero, branco e masculino, um ambiente hostil para as mulheres que lutam contra toda forma de opressão e em defesa da democracia. Ontem, a vítima foi a Deputada Maria do Rosário, hoje Deputada Jandira Feghali, antes delas outras. Até quando dentro e fora do parlamento as mulheres continuarão a mercê do machismo? A violência contra a mulher não é o Brasil que a gente quer!

Toda solidariedade a Deputada Jandira Feghali, que nos orgulha com sua luta incansável pelos direitos das mulheres, da juventude, dos trabalhadores e em defesa de um Brasil democrático, soberano e desenvolvido. “Não pense, Deputado Alberto Fragra que firmeza, coragem e destemor são características masculinas, são características das mulheres. Desde a dor do parto até a luta política concreta!” Afirmou, Jandira. A força de Jandira nos encoraja à seguir lutando!

Os movimentos sociais exigem justiça, a violência contra a mulher não pode ficar impune!

Machistas não passarão!

#LuteComoMulher
#ReformaPolíticaJá

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2 comentários sobre “Nota de Repúdio às agressões sofridas pela Deputada Federal Jandira Feghali

  1. Nossa solidariedade à Deputada Jandira Feghali contra as agressões sofridas por esses dois covardes Srs – Deputados Roberto Freire e Alberto Fragra -, covardes e oportunistas. Não deixe de processá-los, todas nós merecemos esta reparação.

  2. Todos os dias milhares de mulheres que exercem funções, historicamente, destinadas à homens são massacradas moralmente nos seus locais de trabalho. Além de fazer precisamos mostrar e provar num espaço de tempo muito menor que somos capazes de exercer cargos, especialmente na gestão pública. Conheço pouquíssimos homens nesse país – dentre eles Lula, que acreditam, incondicionalmente, na capacidade feminina sem ter antes que compara-la à masculina. Não há nada de nobre na vida de uma mulher em acumular dupla, tripla jornada de atividades ao longo do dia, pelo contrário, considero essa atitude/discurso apológicos a manutenção da diferenciação/subordinação de gênero. Para mim a prova disso é a capacidade da presidente Dilma de suporta todo tipo de violência dirigida, seja da sua base ‘nada aliada’, seja dos adversários(as) sexistas políticos ou religiosos, catedráticos, jornalistas e tantos outros habitantes dos diferentes cenários sociais. Assim como Anna Jarwis se arrependeu de ter proposto a criação do dia das mães, por vezes me arrependo de atender as pressões do sistema machista. Não são poucas as vezes que me questiono com vontade de soltar o grito: ‘mulheres deste país chega de complacência diante da truculência que nos assola, TODAS ÀS ARMAS?’…(e depois ver onde isso vai dar).
    Bom dia a todos.
    Soeli

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