Nosso adeus a Luiza Bairros


Mulher, negra e militante das causas sociais, Luiza Helena de Bairros foi uma das brasileiras que mais e melhor contribuiu para alcançarmos o atual momento de visibilidade e de resistência dos direitos humanos de homens e mulheres nascidos sob a dor e a luta da diáspora africana em nosso país. Em virtude de um câncer de pulmão, Luiza faleceu na manhã desta terça-feira, 12 de julho. O sepultamento será nesta quinta-feira, 14 de julho, às 15 horas na capela 9 do Cemitério João XXIII situado na Avenida Natal, 60 – Medianeira, Porto Alegre.

Natural de Porto Alegre, Luiza era graduada em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), de onde saiu para morar em Salvador em 1979, quando passou a atuar em diversos movimentos sociais, com destaque para o Movimento Negro Unificado – MNU. Continuou sua formação e obteve os títulos de Mestre em Ciências Sociais (UFBA) e de Doutora em Sociologia (Universidade de Michigan, nos EUA). Trabalhou em programas das Organização das Nações Unidas (ONU) contra o racismo em 2001 e em 2005 e foi titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Social do estado da Bahia (Sepromi). De 2011 a 2014, foi ministra-chefe da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial.

À frente do cargo, efetivou o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), uma ferramenta que, segundo ela, inaugura a possibilidade de um novo ciclo das políticas de promoção da igualdade racial no Brasil visando o fortalecimento e a institucionalização de órgãos, conselhos, ouvidorias permanentes e fóruns voltados para a temática nos estados e municípios.

Órgãos públicos, movimentos sociais, pesquisadores e acadêmicos prestaram suas condolências aos familiares e amigos de Luiza Bairros. Para Pedro Chequer, médico sanitarista, epidemiologista e ex-representante o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids) no Brasil, Luiza Bairros destacou-se por uma postura ética, digna, competente e comprometida com a causa pública. “Tive o privilégio e a honra de desenvolver atividades em parceria com a Ministra Luiza quando dirigia o Escritório do UNAIDS no Brasil. Entre as atividades, destacaria o Foro Nacional “Enfrentando o Racismo Institucional para Promover a Saúde Integral da População Negra no SUS”, uma iniciativa conjunta do UNAIDS e SEPIR com a participação e integral parceria de algumas agências da ONU. Fica seu exemplo de compromisso humanitário, a firmeza e doçura com que dirigia aquela Secretaria.

A Secretaria da Cultura da Bahia declarou que a ex-ministra foi uma mulher aguerrida e dedicada às causas sociais. “Luiza nunca mediu esforços para transformar o Brasil num país melhor para todos, sempre com o olhar destemido e certeiro como uma flecha”, disse o secretário Jorge Portugal em nota pública divulgada à imprensa.

Já Vera Lúcia Barbosa, atual titular da Sepromi, ressaltou a centralidade dela para as lutas do movimento negro. “Pelas inúmeras contribuições e ensinamentos de Luiza Bairros, sem dúvidas, podemos dizer que o movimento negro brasileiro e o conjunto das organizações de mulheres negras vivem hoje um luto profundo. Fica um grande legado e o compromisso de continuar a sua luta”.

Em nome da comunidade científica e acadêmica da Saúde Coletiva, a Abraso presta as condolências a esta importante lutadora e intelectual da questão negra e de gênero brasileira.

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Um comentário sobre “Nosso adeus a Luiza Bairros

  1. Vi Luiza Bairros, pela primeira vez, há muito tempo, quando eu estudava e militava no movimento estudantil na UFBA. Fiquei impressionado com a firmeza e a clareza com que expunha seus argumentos. Tocou-me bastante a pergunta que dirigiu à plateia sobre como cada um de nós vivenciava o racismo onipresente na nossa sociedade. Uma perda!

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