Divulgado estudo mundial sobre a saúde dos povos indígenas


O Instituto australiano Lowitja, em parceria com a revista inglesa Lancet, divulgaram esta semana um exaustivo estudo que analisa o estado de saúde e social de povos indígenas e tribais em todo o mundo. O documento inclui dados de 28 populações indígenas de 23 países, entrelaçados por oito temas-chave. A colaboração reuniu cerca de 65 especialistas do Brasil, Estados Unidos da América, Rússia, China, Austrália, Canadá, Índia, Paquistão, Nova Zelândia, Dinamarca, Suécia, Noruega, Colômbia, Chile, Noruega, Tailândia, Myanmar, Quênia, Peru, Panamá, Colômbia, Venezuela, Myanmar, Camarões e Nigéria.

Os pesquisadores avaliaram dados sobre tamanho de população, esperança de vida ao nascer, mortalidade infantil, baixo e alto peso ao nascer, mortalidade materna, estado nutricional, nível de escolaridade, pobreza e status econômico.

As principais conclusões e recomendações incluem:

– As condições de saúde e bem-estar são geralmente inferiores para indígenas e povos tribais, embora o nível de desvantagem varie entre nações.
– Ser indígena em um país rico não necessariamente leva a melhores condições de saúde e de bem-estar.
– Os governos nacionais precisam desenvolver respostas específicas e políticas adequadas para a saúde indígena, melhorar o acesso a serviços de saúde e estimular a produção de estatísticas sobre os indígenas no âmbito dos sistemas nacionais de vigilância.

Entre os especialistas brasileiros que participaram do estudo, está o coordenador do Grupo Temático Saúde Indígena da Abrasco, Carlos Coimbra, além dos antropólogos James R. Welch e Ricardo Ventura Santos. Os três são pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. A equipe colaborou com os dados que reforçaram a abrangência deste relatório, que traz informações de mais de 50% da população indígena do mundo, com aproximadamente 154 milhões de pessoas indígenas.

O documento é atualmente a mais abrangente investigação sobre saúde de povos indígenas e tribais em todo o mundo até à data – “Trata-se de importante análise global que demonstra a persistência de pronunciadas desigualdades em saúde e indicadores socioeconômicos entre indígenas e não-indígenas nos países estuados. Para nós do Grupo Saúde Indígena da Abrasco, o artigo representa a primeira colaboração internacional desse tipo. Foi um esforço coletivo que resultou num grande levantamento sobre o tema (possivelmente o maior já realizado). Não pudemos estar no lançamento do relatório que aconteceu dia 18 de abril na sede do Instituto australiano, mas estaremos em Melbourne em novembro, por ocasião de congresso internacional sobre saúde dos povos indígenas”, explica Coimbra.

Para o coordenador do trabalho, professor Ian Anderson da Universidade de Melbourne, ele próprio membro de uma comunidade aborígene da Austrália, a chave para o sucesso do relatório está na colaboração internacional, que envolveu dezenas de especialistas em saúde indígena – “O que tornou este projeto absolutamente crítico e único foi a capacidade de trabalhar com autores e colaboradores em todos os 23 países”, disse o professor Anderson.

O estudo aborda questões relativas à ‘Agenda 2013’ da Organização das Nações Unidas, um documento sobre desenvolvimento sustentável assinado em Setembro de 2015 com o objetivo enfrentar a pobreza, lutar contra as desigualdades e combater as mudanças climáticas.

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