Diversidade de estratégias marcam movimentos de ocupação nas sedes do MS


Estratégia de luta; ação estética, participação cultural, espaço de troca e de afeto. Diversos os sentidos que explodem dos movimentos de ocupação que estão fazendo história na sociedade brasileira. Na saúde, esta tática vem ganhando força como ação de contestação aos desmandos políticos no setor desde o ano passado, na ocupação do gabinete da Coordenação-Geral de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas (CGMAD/MS), internacionalmente conhecida como Fora Valencius. Nas últimas semanas, com a ascensão do governo interino de Michel Temer e as falas e os posicionamentos de Ricardo Barros, deputado federal indicado para o Ministério da Saúde, os movimentos de trabalhadores do setor e demais organizações políticas da sociedade a encamparam ocupações em quatro núcleos estaduais do MS nas últimas semanas. A dinâmica dos fatos e das notícias em Brasília, a autonomia de estratégias e de caminhos dos movimentos e as próprias limitações da ação política fazem com que conjuntura mude a cada dia. Na segunda-feira, 13, o OcupaSUS-BA realizou um grande ato, retirou-se da sede estadual em Salvador e iniciou uma estratégia de itinerância nos serviços, como adotado pelo OcupaSUS em Florianópolis desde o primeiro momento. As ocupações no Rio e em Belo Horizonte mantêm-se, atraindo e produzindo um grande número de atividades.

Foi com muito barulho e o escracho reconhecido do povo baiano que os militantes deixaram a sede do Ministério em Salvador e realizaram um ato na Associação Bahiana de Medicina. Os baianos adentram a sede do MS, na Rua do Tesouro, no centro da capital, em 30 de maio. Foi a primeira ocupação regional. No comunicado público divulgado nas redes sociais que marcou a saída, o movimento destacou que, nesses quinze dias de ocupação, além do fortalecimento com os movimentos sociais locais e estaduais, houve uma forte conexão com o movimento sanitário em âmbito nacional e com outras ocupações do MS. “Estamos seguros que nossa ação não pode ficar restrita às paredes desse prédio no centro histórico de Salvador”, traz a nota – clique e leia na íntegra.

Já no OcupaSUSRJ, o movimento vem ganhando fôlego. A última assembleia, realizada na terça-feira, 14, votou pela permanência no nono andar do prédio do Núcleo Estadual (NERJ/MS), localizado na Rua México, no Centro. Como forma de apoio e de interação, cursos de pós-graduação e programas de residência, além de demais movimentos sociais e culturais, têm realizado suas atividades dentro do prédio e em conjunto com a ocupação, numa alimentação de ideias e afetos. As noites têm sido marcadas por vigílias noturnas musicais que têm atraído profissionais e estudantes – depois das 16 horas, só entram no prédio os ocupantes. É grande também a sinergia e a troca com os ocupantes do Edifício Gustavo Capanema, organizados no OcupaMinC. Na capital mineira, os militantes e ativistas do OcupaSUS-MG têm privilegiado debates políticos, mantendo assim viva a atividade no centro de Belo Horizonte.

Importantes lideranças políticas e acadêmicas constantemente vão às ocupações levar mantimentos e palavras de ânimo, carinho e apoio. Nelson Rodrigues dos Santos, sanitarista histórico das lutas da saúde brasileira, professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas e um dos fundadores do Instituto de Direito Sanitário Aplicado (Idisa) foi à ocupação carioca no domingo (13). “O movimento é uma das maneiras de chamar a atenção do que está acontecendo com esse novo governo depois do impeachment. […] Esse novo governo tem a pretensão de dar o golpe mortal no capítulo da Ordem Social. Enquanto esse capítulo estiver escrito na Constituição, há uma defesa jurídica e legal do Estado de Direito que é uma trincheira e grande trampolim para que os movimentos sociais reconquistem na prática seu direito à saúde e à educação”, disse Nelsão, como conhecido desde os debates pré-SUS, em vídeo divulgado nas redes sociais.

João Pedro Stédile, liderança das lutas populares dos trabalhadores rurais reconhecido internacionalmente, também deu seu apoio ao OcupaSUS-MG. “Todos nós estamos acompanhando o desmonte que esse governo quer fazer da Saúde Pública, começando pelo SUS. Nós do MST e da Via Campesina estamos muito preocupados, mas juntos com vocês”, falou ele, como mostra o registro em vídeo. É essa a clareza irmanada que faz as ocupações – tanto as de tática itinerante como as que mantêm erguidas suas barracas com atividades culturais e debates – reverberarem na sociedade e elevaram a novas dimensões conceitos tão caros ao SUS, como direito à saúde e participação social.

Acompanhe e participe das ações das ocupações!
Leve mantimentos e palavras de apoio e de luta; sugira atividades!

OcupaSUS-RJ

OcupaSUS-MG

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