A nossa luta é todo dia, porque saúde não é mercadoria!


No final da conferência “Movimentos sociais e política de proteção social”, proferida por João Pedro Stédile, economista e líder do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, um Ato Público em defesa do SUS e da democracia fez com que ninguém saísse do maior auditório no 7º Simbravisa. Sob o comando da presidente do simpósio, Gisélia Souza, os participantes puderam ouvir o presidente da Abrasco, Gastão Wagner; o professor  Luis Eugenio de Souza; a vereadora Aladilce Souza e o deputado federal Jorge Solla. “Nosso GT de Vigilância Sanitária tem lado: a defesa intransigente da democracia e do SUS. Entendemos que a PEC [55/2016] é extremamente danosa e nós temos uma posição clara de oposição e resistência a ela”, começou Gisélia. A presidente reforçou ainda que a Abrasco não é uma instituição governamental – “É uma instituição da sociedade civil, que tem lado, que tem posição, que defende a democracia como pressuposto básico para os avanços na saúde, então, nessa conjuntura, o nosso lado é o da defesa intransigente da democracia e é por isso que decidimos transformar este momento do simpósio num ato de resistência.

A seguir Gastão Wagner mostrou preocupação – “Quero dizer duas coisas neste Ato Público: estamos vivendo um momento tão difícil de concentração de renda, de concentração do poder pelos intelectuais orgânicos da burguesia e não do povo, que somos a todo momento julgados por sermos do contra. Na verdade temos nos esquecido de trabalhar o nosso projeto, e eu pergunto – do que nós somos a favor? Temos que dizer a todo mundo do que nós somos a favor: e somos a favor do uso público do tesouro nacional. Quero propor uma brincadeira séria, vamos votar outro teto, um teto para o gasto de orçamento a serviço da dívida pública”, pontuou.

Ex-presidente da Abrasco e membro da Comissão de Política, Planejamento e Gestão da Associação, Luis Eugenio de Souza disse que um momento como o Ato Público dá a oportunidade à Abrasco de exercer a ecologia de saberes –  “Pois nós sabemos que o nosso conhecimento científico e técnico é apenas parte da realidade, o conhecimento do povo e a sua prática diária é a outra parte importantíssima dessa realidade e o diálogo entre o conhecimento técnico e a prática diária é vital para o SUS e é vital para a população. Os estudos científicos que estão realizados em todo o mundo relativos aos efeitos da crise econômica a chamada política de austeridade são contundentes: as medidas de austeridade adotadas em junho de 2011 na Grécia para responder à crise da dívida pública aumentaram em um terço o número de suicídios no país. Um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet,  examinou como a política de cortes fiscais afetou a saúde pública na Europa. Mais especificamente, na Grécia, Espanha e Portugal, países em que a resposta foi das mais rígidas. Enquanto o sistema de saúde pública é estrangulado pelas medidas de combate à crise, o retorno da austeridade ocorre no mesmo período em que há cada vez mais gente contaminada por doenças infecciosas. Aumenta o número de pessoas doentes e diminui a capacidade dos hospitais e médicos públicos de oferecer tratamento adequado. Precisamos pensar mais na resposta que a Islândia deu ao mundo: a pequena ilha da Islândia realizou um referendo para decidir, mais ou menos, se as pessoas comuns deveriam pagar pela folia dos banqueiros (e por extensão, se os governos podem controlar o setor corporativo, já que suas finanças dependem dele). Sessenta por cento da população rejeitaram um acordo negociado entre a Islândia, a Holanda e o Reino Unido para pagar de volta aos governos britânico e holandês o dinheiro que gastaram para compensar correntistas do banco Icesave, que faliu. Nós, como cientistas da saúde, devemos mostrar os efeitos que essa política de cortes em políticas públicas faz em cada um dos brasileiros”, explicou Eugenio.

 

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