Países que dizem não à austeridade recuperam-se mais rapidamente da crise, ensina a Islândia

Enquanto o governo brasileiro executa em ritmo acelerado o receituário neoliberal, com a aprovação da PEC 55 (antiga PEC 241), há países que dizem em alto e bom som que a saída para cenários recessivos é justamente ao contrário: investimento em programas sociais, valorização das políticas produtivas, taxação de fortunas. Esses foram os pontos defendidos por Ólafur Ragnar Grimsson, presidente da Islândia, em conferência realizada na escola de negócios Iese, em Madrid, Espanha, e depois em almoço com jornalistas.

O colapso dos bancos no final de 2008 levou ao pequeno país insular do norte da Europa a perder 8% de sua riqueza em dois anos e a uma taxa inédita de desemprego de 11,9%. À época, a União Europeia indicou o receituário clássico do arrocho como solução – redução do investimento público e liberação financeira. A Islândia recusou, em um plebiscito, a pagar pelos erros de seus bancos e fez a classe política adotar medidas opostas às anunciadas por pressão popular. A população não sofreu com duros cortes orçamentários, mas houve uma desvalorização da moeda. Ainda hoje o país mantém controles severos de capital.

Com uma economia baseada sobretudo no turismo, nas exportações pesqueiras e na indústria de alumínio, a Islândia recuperou o terreno perdido: hoje, a taxa de desemprego oscila entre 3% e 4% e o Governo previu uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,3%. Mesmo não sendo direto e explícito, o presidente Ólafur Ragnar Grimsson recomendou que a UE tire suas conclusões sobre as respostas islandesas sobre a crise e pediu a manutenção do equilíbrio entre “a democracia” e os “interesses econômicos”. Confira a matéria original do El País.

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