Guia alimentar norte-americano é criticado por especialistas


No último dia 07, o governo norte-americano divulgou o novo Guia Alimentar dos Estados Unidos – o “2015 Dietary Guidelines for Americans 2015- 2020 Eighth Edition” (Guia Alimentar para Americanos 2015-2020 8ª Edição). A publicação é atualizada a cada cinco anos e expressa o pensamento oficial do governo sobre o que constitui uma alimentação saudável.

O Guia disponibiliza recomendações como limitar a ingestão de calorias (menor que 10% das calorias diárias) de alimentos com adição de açúcar e gordura saturada e o consumo de sódio menor que 2300 mg por dia; Aumentar o consumo de variedade de frutas, grãos, vegetais, alimentos ricos em proteínas, incluindo frutos do mar, carnes magras, aves e ovos.

Contudo, o governo federal também fornece algumas outras orientações que chamam a atenção, como por exemplo a retirada da recomendação do Guia Alimentar de 2010 para limitar o consumo de colesterol em 300 mg por dia. Além disso, recomendam maior consumo de café, onde é dito que o consumo em média de 5 xícaras de café faz parte de uma dieta saudável. E aparentemente, as novas recomendações trazem que”pular” o café da manhã não é um hábito que traz perigo à saúde, visto que a versão antiga do Guia Alimentar afirmava que o hábito de não fazer esta refeição estava associado com o excesso de peso, enquanto a nova versão está em silêncio sobre o tema.

Por esses e outros fatores, o novo Guia tem sido motivo para críticas e debates entre especialistas e estudiosos da área, representantes da indústria de alimentos, funcionários públicos, profissionais médicos, cientistas ambientais e civis da sociedade.

Marion Nestle, professora e pesquisadora em Alimentação e Nutrição em Saúde Pública da Universidade de Nova Iorque, Estados Unidos, autora de diversos livros e de um blog muito popular sobre políticas públicas de Alimentação e Nutrição: Food Politics, observa que as novas recomendações, apesar de tentarem pela primeira vez focar em alimentos e padrões alimentares, ao invés de componentes alimentares individuais, tais como grupos de alimentos e nutrientes, recomendam “alimentos” quando sugerem “comer mais”, mas mudam para “nutrientes” quando sugerem “comer menos”.

O guia alimentar dos EUA também tem sido criticado por não conseguir evitar a epidemia de obesidade no país. Para muitos, as orientações são vistas como uma ferramenta de marketing para a indústria e é questionado ainda se as orientações dietéticas devem priorizar o direito de todos os americanos ao acesso a uma alimentação nutritiva, acessível e sustentável, ou se elas devem priorizar a crescente demanda por alimentos produzidos pelos grupos da indústria com o maior poder de influência.

No site da Rede de Nutrição do Sistema Único de Saúde (RedeNutri), iniciativa do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição / Universidade de Brasília (OPSAN/UnB) junto com a Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde (CGAN/MS) e organismos internacionais, como OPAS/OMS, você encontra ainda um conjunto de links e artigos científicos que detalham o tema. Acesse aqui.

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