Um “até logo” a Vilma Reis, jornalista da Abrasco

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Nesta parte da história em que os ataques à ciência relativizam o óbvio, a comunicação está no centro da disputa de visões de mundo. Quando a Associação Brasileira de Saúde Coletiva divulga posicionamentos políticos e/ou técnicos através da imprensa tradicional ou independente – e através de seus próprios meios -, trabalha como elo entre a produção científica e a sociedade, uma estratégia para propagar pensamentos transformadores. Esta foi a percepção que Vilma Reis ajudou a construir nos últimos sete anos à frente da coordenação da Comunicação da Abrasco. Ela agora se despede, levando em sua caminhada e deixando por aqui tudo o que se aprende e se ensina quando as trocas são verdadeiras.

Vilma costuma dizer que as pesquisas científicas não se acabam na publicação de artigos e na constatação de evidências: para que a população reconheça e defenda o desenvolvimento científico e a saúde como direitos, a comunicação precisa ser instrumento – e a Abrasco precisa ser ponte. Foi este o norte que guiou a jornalista em seus diálogos institucionais, internos, com aqueles que compõe os espaços abrasquianos; e externos, com jornais do Brasil (e do mundo), com universidades, outras organizações da sociedade civil e com pessoas que descobriram nas mídias da associação uma fonte constante de informações.

Nascida em Belém (PA) e formada pela Universidade de Coimbra, Reis assumiu a função em 2012, quando Luis Eugenio Portela de Souza era presidente. O professor da Universidade Federal da Bahia conta que sua chegada “sem dúvida” dinamizou o trabalho exercido, aprimorando as coberturas dos encontros da diretoria, fóruns, comissões e grupos temáticos: “O compromisso e a seriedade de Vilma, assim como seu entusiasmo e criatividade, contribuíram muito para a significativa melhora da qualidade da comunicação da Abrasco”, comenta.

Os três anos de Gastão Wagner à frente da Abrasco (de 2015 a 2018)  foram marcados pela convivência e trabalho com a então coordenadora de Comunicação, como conta o ex-presidente: “Foi ótimo trabalhar com Vilma, tenho saudade daquele tempo. Ela é uma excelente jornalista, criativa, com grande compromisso social, publicou dezenas de matérias sobre direito à saúde, enfrentamento das desigualdades, sempre numa perspectiva abrangente. Desejo boa sorte em sua nova missão”.

Similarmente, a presidente Gulnar Azevedo e Silva manifesta seu reconhecimento ao empenho da profissional: “Agradeço a Vilma por ter coordenado e participado efetivamente de toda a construção da nossa Comunicação. Ela foi decisiva, junto com sua equipe, para que a Abrasco tivesse reconhecimento e pudesse atuar na defesa do direito universal à saúde. Com certeza, mesmo além mar, continuará nesta luta com a gente”. Em 2020, Vilma voltará para Portugal a fim de retomar os estudos na área de divulgação científica.

Thiago Barreto, secretário-executivo da Abrasco, acompanhou de perto a reformulação do portal e o desenvolvimento das mídias sociais,  que, nas palavras dele, transformaram radicalmente a divulgação e a cobertura dos congressos e simpósios abrasquianos: “Essas mudanças não foram fáceis nem rápidas. Foi necessário o envolvimento de toda a equipe de Comunicação. O mérito do trabalho coletivo não esconde o valor da liderança de Vilma como coordenadora da equipe, muito pelo contrário. Ela pautou a necessidade de investimento nessa área, destinando recursos para termos uma comunicação potente e dinâmica, com capacidade de dialogar tanto com a comunidade da Saúde Coletiva quanto com a sociedade, principalmente por meio da imprensa”.

Para além da falta que fará como jornalista, no âmbito afetivo deixará saudade na equipe que compõe a Secretaria Executiva. “Se por um lado é fácil reconhecer o seu carisma, por outro, apenas a convivência cotidiana permite perceber como ela é perspicaz, agregadora e solidária. A sua saída também nos deixa uma lacuna que não é provocada apenas pela ausência do companheirismo profissional, mas da sinceridade e fraternidade que permeiam as relações pessoais que ela construiu nesses anos na Abrasco”, diz Thiago.

Para Vilma, o tom é de “até logo”, e a sensação é de dever cumprido: “Sou muito grata por todo o apoio que sempre tive; pelo ensinamento constante; pelos amigos que fiz e por aprender a defender a Saúde Coletiva. Tenho certeza que ainda vamos nos encontrar; esse mundo é pequeno. Estou triste porque vou ficar longe de vocês [que integram a Abrasco]  por um tempo, mas feliz porque vou estudar e incrementar meu jornalismo científico. Fiquem bem, cuidem uns dos outros”, disse ela em carta enviada à comunidade abrasquiana.

Nova composição da Comunicação da Abrasco

Jornalista formado pela Escola de Comunicação da UFRJ e integrante da Comunicação da Abrasco desde 2013, Bruno Cesar Dias assume a coordenação do setor na Associação. “É com alegria e responsabilidade que encaro esse grande desafio. Pessoas e momentos são insubstituíveis; por isso espero ter aprendido bastante coisa com Vilma para, junto com minhas próprias habilidades e as de Hara Flaeschen, manter a qualidade da Comunicação da Abrasco e assim seguir contribuindo para a comunicação dos movimentos científicos, sociais e da saúde” completa. Uma nova seleção para equipe de Comunicação será realizada no início do ano de 2020.

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