Recomendação publicitária de alimentos versus recomendação nutricional da Saúde Pública


O tema “Indústria e Obesidade” atraiu público que lotou o teatro do prédio 40 da PUC Rio Grande do Sul. Fábio apresentou a obesidade como um problema mundial e destacou o papel da publicidade no agravamento desse cenário. “Enquanto observamos cada vez mais o crescimento dos índices de consumo dos alimentos industrializados, vemos cada vez menos, como uma relação coerente, a diminuição da venda de alimentos para o preparo em nossas casas”, ressaltou.

Fábio enfatizou a demanda da própria indústria em definir ações contra a obesidade, a chamada “onda voluntária”. Entretanto, vê como estratégia de envolver ainda mais seus consumidores cativos no consumo de seus produtos “saudáveis”, utilizando-se de selos que “certificam” escolhas saudáveis. “O objetivo da indústria é fazer com que seus produtos sejam vistos como alimentos que não fazem mal. Muitos deles apresentam em seus rótulos, nomes e slogans imperialismos de consumo muito fortes com o objetivo de persuadir”, disse.


O palestrante afirmou que a iniciação alimentar de produtos industrializados acontece desde a infância, quando as crianças ainda não sabem que as embalagens bonitas e atraentes são alimentos. “O princípio é o mesmo do ‘abastecimento da máquina’, como um ‘pit stop’. É preciso assegurar esse abastecimento e os rótulos, o seu design, as informações contidas neles também fazem parte da publicidade, são publicidade”, pontuou. Segundo Fábio, a publicidade é como uma recomendação cheia de artifícios sem propor possibilidades de decisão crítica.

“Quando a Saúde Pública deve interferir nesse processo? Como interferir?”, perguntou para a plateia. Mesmo com as iniciativas de inserção de informações de atenção a determinadas substâncias e ingredientes nocivos nas embalagens, de acordo com Fábio, elas continuam sendo apenas informações sem o foco na persuasão, confundidas com o design persuasivo das embalagens. Não seria o caso de utilizar as mesmas estratégias para combater a publicidade dos alimentos que prejudicam a saúde?

Luiz Quitério, debatedor do Grande Encontro, ressaltou a importância do tema dentro do VI Simbravisa e apresentou números, no mínimo, interessantes pare refletir sobre formas de atuação da Vigilância Sanitária. “No estado de São Paulo, por exemplo, só no ano de 2012, tivemos 145 surtos de Doenças de Transmissão Alimentar confirmados, outros 796 com grande possibilidade de serem surtos e mais 941 suspeitas. Isso tudo envolveu perto de 30 mil pessoas. Isso mostra que temos muitas razões para seguir atuando na vigilância sanitária de alimentos da maneira tradicional. Entretanto, além da atenção sobre a salubridade microbiológica e as boas práticas, bases do trabalho dos técnicos da Vigilância Sanitária, o Fábio nos aponta um problema – a obesidade –  cujos fatores de risco não estão nos micro-organismos, nem propriamente nas boas práticas. A complexidade dos fatores de risco associados à obesidade como problema de saúde pública exige intervenções em ampla escala, envolvendo múltiplos atores, e não somente a Vigilância Sanitária”, enfatizou.

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