Os avanços da epidemiologia em saúde do trabalhador no Brasil


“Por amar métodos estatísticos, eu poderia ter decidido apresentar os avanços da epidemiologia a partir desses dados quantitativos, complexos, analíticos. Com eles, alcançamos algumas coisas: precisão, rigor. Entretanto, mais importante do que refinamento metodológico, eu acredito que é a perspectiva de trabalharmos a epidemiologia como uma ferramenta para a melhoria das condições de saúde dos trabalhadores”, afirmou Vilma Santana, no início de sua palestra no IX Congresso Brasileiro de Epidemiologia da Abrasco, em Vitória (ES). Para ela, sem ser por essa perspectiva, de nada valem a epidemiologia e sua “fantástica arte do conhecimento dos métodos”.

 

Nesse sentido, Vilma apresentou as “deficiências” no que tange à produção de conhecimento epidemiológico para a saúde do trabalhador no Brasil, “apesar de sua imensa importância”, como acrescentou.

 

De acordo com a pesquisadora, como importante determinante de problema de saúde, o fato é que ele “acidenta, adoece, incapacita, custa muito para o SUS e a previdência, mas é invisível”. E essa grande invisibilidade é decorrente da falta de dados epidemiológicos. “A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador produz esse tipo de informação. Mas estamos avançando?”, contesta Vilma.

 

Aproximadamente, metade da população mundial trabalha. Se temos pouco mais de 6 bilhões de seres humanos no planeta, estima-se que mais de 3 bilhões são trabalhadores. Segundo Vilma, também pessoas que se acidentam. “Existem dados alarmantes sobre o número de pessoas que se acidentam, ficam incapacitados, sem contar o número de óbitos”, ressaltou. Nesse sentido, a professora enfatiza que a epidemiologia em saúde do trabalhador no Brasil precisa avançar muito.

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3 comentários sobre “Os avanços da epidemiologia em saúde do trabalhador no Brasil

  1. Considerando todo arcabouço da epidemiologia, existe sim uma ruptura , e é nela que encontramos a saúde do trabalhador.
    Porém, juntos mudaremos este cenário.
    Parabéns pela abordagem, Sucesso nas pesquisas.

  2. Bom Dia,

    Sou técnica de enfermagem do trabalho desde 1991 e já estive trabalhando em SESMT em empresa particular. Nesta época pouco se falava sobre a saúde do trabalhador e muito menos sobre as notificações de acidentes de trabalho, até porque eu era instituição privada e não tinha acesso a esta área de notificação dos acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
    Há quase dois anos, iniciei as investigações de acidente de trabalho e doenças ocupacionais na Gerência de Vigilância Epidemiológica no município, estando hoje do “outro lado da moeda”. Ao procurar meios que me orientassem no trabalho de investigação e fluxos de encaminhamento dos agravos relacionados ao trabalho, abro desde o site do MS até aqui na Abrasco o GT da saúde do trabalhador e ambos então em “construção”.
    Como ter referência para fazer uma boa investigação e todo o seguimento necessário para gerar dados para auxiliar nas ações de prevenção!??

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