Nova edição do Guia Alimentar para a População Brasileira valoriza promoção da saúde


Mais do que um guia, um instrumento de educação em saúde e uma ferramenta capaz de multiplicar conhecimentos científicos e populares em um dos espaços sociais mais importantes para uma efetiva promoção da saúde: a mesa. Lançado na manhã desta segunda-feira, dia 05 de novembro, durante a 263º Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira traz avanços significativos na apresentação e na discussão de uma alimentação adequada e saudável. A Abrasco, por meio do seu Grupo Temático Alimentação e Nutrição em Saúde Coletiva (GT ANSC/Abrasco), saúda o enfoque pioneiro da publicação que busca articular conhecimento científico, saberes tradicionais, cultura e compromisso com o meio ambiente.

Remoçado, o Guia chega ao seu lançamento com 158 páginas e uma tiragem inicial de 60 mil exemplares, que terá sua primeira distribuição entre os estabelecimentos da rede de atenção básica à saúde, centros de formação e universidades e, posteriormente, entre as instituições de ensino que compõem o programa Saúde na Escola. A versão eletrônica já está disponível no Portal Saúde.

Na coletiva de imprensa organizada para o lançamento, o ministro da Saúde Arthur Chioro destacou um dos principais objetivos da publicação. “Trata-se de um guia bastante completo em um momento em que a obesidade se transforma, não só no Brasil, mas em todo o mundo, em um problema de saúde pública”, concluiu. Dados da pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) indicam que atualmente 50,8% dos brasileiros estão acima do peso ideal e 17,5% são obesos. Os percentuais são 19% e 48% superiores que os registrados em 2006 – quando a proporção de pessoas acima do peso era de 42,6% e de obesos era de 11,8%.

Junto com o enfrentamento do diabetes, da hipertensão e de outros agravos e consequências advindos da transição do padrão alimentar da população, Patrícia Jaime, da Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde (CGAN/MS), falou que a publicação não tem o intuito de prescrever ou normatizar a alimentação da população. “Nosso objetivo maior é ampliar a autonomia do sujeito frente às práticas alimentares em cima de dois direitos básicos: à saúde e à alimentação.”

A coordenadora frisou ainda que, como todo e qualquer produto intelectual de qualidade, o Guia buscou estar em sintonia com o seu tempo e partir de um diagnóstico do momento em que vivemos. É nessa perspectiva que a publicação traz uma nova forma de classificação dos alimentos, a partir de seu processamento ao invés da segmentação por nutrientes. “O Guia é um instrumento de educação em saúde, voltado para o apoio aos profissionais da rede de atenção do SUS e todos aqueles envolvidos com educação alimentar e nutricional, na abordagem desse conjunto de mensagens presentes na publicação.” O trabalho contou com o apoio e a parceria de instituições como o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (NUPENS/USP); a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), além de pesquisadores, profissionais de saúde, educadores e representantes de organizações da sociedade civil que participaram com críticas e propostas na etapa da consulta pública online.

Conhecimento comprometido: Em nome da Abrasco, Maria Angélica Tavares de Medeiros, coordenadora do GT ANSC, saúda a publicação por trazer para a população esse novo olhar sobre a classificação dos alimentos a partir do seu grau de processamento que se vincula mais à promoção de uma alimentação adequada e saudável, deixando para trás a tradicional abordagem da distribuição de nutrientes pelas refeições. “Essa proposta carrega também o respeito à cultura e à comida e, na sua redação, o Guia é claro na recomendação de consumo preferencial de alimentos in natura, sem conservantes. Nesse sentido, essa proposta tem potencial estratégico no cenário dos planos nacionais de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como o diabetes e a hipertensão”.

Professora do Instituto Saúde e Sociedade da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-Baixada Santista), Maria Angélica destaca que todas as pesquisas apontam a ligação direta entre uma alimentação baseada nos produtos ultraprocessados e prontos para consumo e os riscos à saúde, como a obesidade e suas consequências. Logo, é louvável que um importante aspecto da política de promoção da saúde, como a Alimentação e Nutrição, traga uma leitura crítica e valorize a cultura alimentar e os saberes tradicionais de cada parte e comunidade do país, frente ao sistema agroalimentar hegemônico que se volta às necessidades do capital.

“Contribuir com a produção do conhecimento comprometida com as necessidades da saúde dos brasileiros, em articulação com uma ação política envolvendo universidades, sociedade civil e movimentos sociais são questões centrais próprias da missão da nossa Associação. O campo ocupado pelo GT ANSC e por tantos outros parceiros é estratégico dentro da Saúde Pública. A Abrasco se coaduna às políticas públicas que valorizem a dimensão da alimentação e da nutrição como elemento essencial da produção e da reprodução da vida humana”, concluiu a coordenadora.

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