Morre Eleutério Rodriguez em São Paulo


Eleutério Rodriguez, um dos gigantes da Saúde Coletiva no Brasil faleceu hoje em São Paulo. A cremação aconteceu nesta terça 24/12, às 9h30min, no crematório de Vila Alpina, na capital paulista e a missa de sétimo dia será realizada no dia 29, às 11h30, na Igreja Nossa Senhora de Assunção, em São Paulo. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva já vem homenageando Eleutério pela sua atuação na luta por uma saúde igualitária, integral e universal para todos os brasileiros e lamenta a perda irreparável. Durante o 2º Congresso Brasileiro de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, em outubro, em Belo Horizonte, a Abrasco homenageou o sanitarista que foi vice-presidente da Abrasco na gestão 1986/1987.

Eleutério Rodriguez Neto nasceu em Campinas (SP), em 21 de Julho de 1946. Em 1970, com 24 anos, graduou-se em medicina pela Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília/UnB. Na universidade teve a oportunidade de conviver com um conjunto de pessoas igualmente inquietas e em busca de novas alternativas de organização pedagógica, acadêmica e social. Como também a oportunidade de uma prática participativa, compartilhando responsabilidade que transcendia aos estudos individuais. Tratava-se de construir uma nova Universidade para um Brasil novo. A experiência foi fundamental para sua formação pessoal, para seu interesse na área pedagógica e na saúde, por seus aspectos sociais e coletivos.

Em 1971, cursou na mesma faculdade residência em Clínica Médica, uma área mais abrangente em termos de formação, sem desvincular-se do compromisso com o tipo de abordagem que se pretendia imprimir ao ensino médico na Universidade de Brasília.

Interrompeu o segundo ano de residência para cursar o mestrado em Medicina Preventiva na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/FMUSP. Esse foi outro grande marco de sua vida profissional, pois tomou contato com um novo instrumental de abordagem dos problemas médico-sanitários, a chamada medicina social, mediada pelas próprias Ciências Sociais, que o orientaram para sua prática profissional e docente.

Entre 1972 e 1973, foi professor do Departamento de Medicina Preventiva da FMUSP.

Em 1979, tornou-se mestre em Medicina Preventiva pela mesma faculdade com a dissertação Integração Docente Assistencial em Saúde.

Em 1974, impossibilitado de ingressar no corpo docente da USP por censura política, foi trabalhar no Núcleo de Tecnologia Educacional para Saúde (NUTES), da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ, onde estava sendo implantado, mediante cooperação técnica com a Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o Centro Latino-Americano de Tecnologia Educacional em Saúde (CLATES).

Formalmente sua carreira docente iniciou-se na UFRJ. Em 1975, foi admitido por concurso público interno, de prova e títulos, para professor assistente da UFRJ.
No CLATES desenvolveu a atividade de consultor de recursos humanos, influenciando tanto os programas de pós-graduação da UFRJ, como muitos outros projetos de reforma de ensino da saúde no Brasil e em vários países da América Latina.

Em 1980, ingressou no Ministério da Previdência e Assistência Social, como Coordenador de Planejamento e Estudos da Secretaria de Serviços Médicos até 1982. Foi destacada sua atuação na formulação do “Plano de Reorientação de Assistência à Saúde Previdenciária”, elaborado pelo Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previdenciária (CONASP), em 1981. Representando o Ministério da Previdência e Assistência Social, integrou a Comissão de Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde no Brasil e a Comissão Nacional de Residência Médica.

Entre 1983 e 1984, atuou no INAMPS, como Diretor do Departamento de Planejamento, onde estruturou as Ações Integradas de Saúde (AIS).

Eleutério desempenhava estas atividades com competência e afinco e era marcante sua motivação política e ideológica, com grande capacidade de formulação política e com um discurso claro e determinado. Desenvolveu neste período intensa articulação entre grupos docentes e pesquisadores nas universidades, e gestores e técnicos nos serviços de saúde, destacando-se como uma liderança do movimento sanitário brasileiro, já então denominado de movimento pela Reforma Sanitária.

Participou da criação do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES) e foi presidente da entidade entre 1980/1981 e 1991/1993 e vice-presidente na gestão 1994/1996. Em 1986 passou a integrar seu Conselho Consultivo. Foi membro do Conselho Editorial da Revista do CEBES de 1987 a 1991.

Na Nova República foi indicado como Secretário Geral do Ministério da Saúde quando, a partir de um espaço privilegiado, participou da organização da 8ª Conferência Nacional de Saúde. Ainda nesse período, representou o país no Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Em 1986, passou a exercer uma função de acompanhamento da ação governamental no campo social, como subchefe para acompanhamento da Ação Governamental do Gabinete Civil da Presidência da República. Ao mesmo tempo, dedicou-se à organização do Núcleo de Estudos em Saúde Pública da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, onde desenvolveu intenso e produtivo trabalho de assessoria parlamentar aos constituintes em relação ao capítulo da Seguridade social. Ocupou também a função de diretor do Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares da UnB.

Em 1990 foi deslocado da UFRJ para a UnB, onde foi professor adjunto IV no Departamento de Saúde Coletiva.

Nesse mesmo ano foi admitido por concurso de provas e títulos como assessor legislativo da Câmara dos Deputados.

Na esfera do Poder Legislativo contribuiu para a causa da saúde e da criação e consolidação do SUS.

Entre 1975 e 1995 desenvolveu múltiplas consultorias para a Organização Pan-americana da Saúde (OPS/OMS) em Washington, D.C., EUA, PAHO/HQ, Genebra, Argentina, Colômbia, Equador, Honduras, Costa Rica, México, Chile, Bolívia, Peru, Brasília, Quebec/Canadá, Rio de Janeiro.

Missa de Sétimo Dia: Família, amigos e colegas da Saúde Coletiva convidam a todos para a missa de sétimo dia de Eleutério Rodriguez Neto, que será realizada no domingo, 29, às 11h30, na Igreja Nossa Senhora de Assunção, localizada na Alameda Lorena, 665, Jardim Paulista, em São Paulo.

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