Grupo Temático Saúde e Ambiente define nova coordenação e metas

Pesquisadores de mais de 12 instituições constituem o Grupo, que renovou suas diretrizes

Reunidos entre 09 e 11 de abril na cidade de Petrópolis (RJ), os abrasquianos integrantes do Grupo Temático Saúde e Ambiente (GTSA/Abrasco) reafirmaram os eixos de ação do GT e definiram nova coordenação e metas para a condução dos trabalhos, produzindo, ao final do encontro, a Carta de Petrópolis como documento orientador para o biênio 2019-2020.

Depoimentos e mensagens enviadas por escrito e em vídeo por parceiros institucionais e movimentos sociais marcaram a abertura da atividade. Os presidentes da Abrasco Gulnar Azevedo e Silva e Luiz Eugenio de Souza (2012-2015) também enviaram mensagens, saudando o grupo e destacando o importante trabalho realizado nas diversas frentes que atua.

Os pesquisadores avaliaram o percurso trilhado pelo GTSA nos últimos anos. Entre as articulações promovidas, foram ressaltadas tanto as ligações acadêmicas internas ao grupo temático, bem como com demais grupos da Abrasco e com os movimentos sociais articulados nas lutas da saúde e ambiente, tanto rural como urbano. Os resultados vieram ao mundo em forma de artigos e livros que abordam a trajetória e as discussões mais urgentes a essa interface da Saúde Coletiva, com destaque para as publicações fruto das caravanas territoriais que percorram as bacias dos rios Doce e São Francisco nos anos 2016 e 2017 e para o livro “Tramas para a justiça ambiental: diálogo de saberes e práxis emancipatórias” lançado pelo Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, da Universidade Federal do Ceará (UFC ), em julho de 2018. A mobilização e atuação em relação à Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA) e no Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), realizado em março de 2018 em Brasília (DF), também foram pontos altos na avaliação do GT.

Próximos passos: Os desafios da atual conjuntura e as formas de continuar atuando nas realidades científicas e sociais do país ocuparam a continuação dos debates. “Ampliar as ações do GT em prol do diálogo com a sociedade e a comunidade abrasquiana nesse momento de importantes mudanças políticas e sociais foi a principal decisão tomada pelo coletivo. Para tanto, estamos trabalhando para a ampliação dos campos temáticos com os quais hoje o Grupo está envolvido, incorporando questões urgentes, mas que anteriormente não foram tomadas como prioritárias, como as mudanças climáticas e as transformações dos grandes centros urbanos, impactadas pela poluição atmosférica e falta de saneamento e os decorrentes processos saúde-doença a eles associadas” explica Diogo Rocha, pesquisador do Núcleo de Estudos em Ecologias, Epistemologias e Promoção Emancipatória da Saúde (NEEPES/ENSP) e eleito novo coordenador do GTSA/Abrasco junto com Guilherme Franco Neto, também pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), sucedendo as pesquisadoras Lia Giraldo e Raquel Rigotto.

A pauta dos agrotóxicos, estratégica na construção histórica do GTSA e da própria Abrasco, continuará como um dos eixos de ação do Grupo nos próximos anos. “Estamos organizando um núcleo temático específico para elaborar e executar estratégias de articulação, diálogos e pesquisas no campo nos próximos anos, de forma a permitir que enfrentemos a tendência do atual governo em ampliar a difusão de agrotóxicos altamente poluentes e arriscados do ponto de vista da saúde humana nas áreas de produção agrícola brasileiras” completa Diogo, chamando atenção para a alta acelerada de liberações de venenos pelo governo Bolsonaro. 

Rumo ao 3º Sibsa: Cientes e conscientes de que a articulação com os movimentos sociais é um dos diferenciais da atuação da Abrasco no conjunto das entidades científicas e da área da saúde, o GTSA reforçou o compromisso de construir uma metodologia de trabalho que promova  interlocuções com  tanto com comunidade da Saúde Coletiva – de pesquisadores dos institutos de pesquisa aos profissionais dos serviços de saúde e estudantes – como com as associações acadêmicas e organizações da sociedade civil com os quais mantém parceria consolidada, como a Associação Brasileira de Agroecologia (ABA); Articulação Nacional de Agroecologia (ANA); Rede Brasileira de Justiça Ambiental; Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida e os fóruns nacional e estaduais de combate aos efeitos dos agrotóxicos, entre outros.

O conjunto dessas deliberações científico-metodológicas e políticas ganharão forma e palco com a realização de uma nova edição do Simpósio Brasileiro de Saúde e Ambiente, programado para o próximo ano, 2020. “O 3º Sibsa será um importante espaço onde todas as pautas trabalhadas pelo GTSA serão orientadas e debatidas por perspectivas teórico-metodológicas que nos permitam não somente aprofundar o debate sobre essas questões como mantê-las no foco de nossas ações, caso da questão da saúde das populações em territórios vulnerabilizados no campo e do uso de tecnologias a serviço da expansão desenfreada do agro e do hidronegócio, entre outras temáticas. Essa estratégia permite também a oportunidade de estreitar ainda mais o diálogo com a sociedade, especialmente por meio dos movimentos sociais” ressalta Diogo. Acesse a Carta de Petrópolis na sessão Documentos do Grupo Temático Saúde e Ambiente.

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