Força do capital financeiro na saúde é tema de uma das mesas-redondas do 2º Congresso de Política


As estratégias dos grupos econômicos em abrir novos mercados na saúde foi debatida na mesa-redonda Financeirização da Assistência à Saúde, realizada no último dia do 2º Congresso de Política, Planejamento e Gestão em Saúde (3/10).

 

Antes de começar as exposições, os presentes comemoraram a queda de Elano de Figueiredo da Agência Nacional de Saúde Suplementar, mas observaram que a vitória contra o destino de verbas públicas para o setor privado está longe de acabar, ao recordarem a nova linha de financiamento oferecida às Unimeds pelo ministro do desenvolvimento, indústria e comércio exterior Fernando Pimentel, como reforçou o coordenador da sessão, Mario Scheffer.

 

Roberto Grum, professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) abordou o tema a partir da sociologia de Émile Durkheim e das visões da representação da crise financeira e seus agentes sociais, como os grupos financeiros e o Estado. “O modelo de dominação financeiro tem um forte componente de domínio cultural, que penetra no âmago e faz-nos pensar de maneira ou igual ou análoga aos donos do mundo”.

 

Na sequência, Áquilas Mendes, professor da USP e da PUC-SP, identificou o processo como um elemento articulado entre planos financeiro e produtivo do capitalismo em crise. “O entendimento foi resgatar a visão em Marx da própria lógica do modo de produção capitalista, que busca cada vez mais espaço nos fundos públicos e no orçamento do governo federal”.

 

Já Ligia Bahia, professora do IESC/UFRJ, apresentou o atual cenário da entrada do capital estrangeiro na saúde e suas estratégias, como a associação com laboratórios e clínicas como porta de acesso. Frisou também a necessidade do campo da saúde aprofundar esse debate. “Temos grande acúmulo sobre o tema, mas precisamos de elementos analíticos e buscar novos conceitos para explicitar essa realidade”.

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