Diabetes, sobrepeso, intolerância à glicose em indígenas são preocupantes no Brasil, afirma estudo


Alguns resultados do estudo que começou em 2006 e que mantém continuidade com apoio do Ministério da Saúde, foram apresentados durante a programação do IX Congresso Brasileiro de Epidemiologia, de 7 a 10 de setembro, em Vitória, Espírito Santo. A mesa-redonda “Saúde na América Latina”, que também contou com a participação do professor J. Jaime Miranda, da Universidade Peruana Cayetano Heredia, apresentando um estudo de doenças crônicas sobre o cuidado com a heterogeneidades entre as definições -, trouxe “ELSA Brasil: thinking big, thinking ahead”, de Sandhi Barreto, que está sendo realizada em seis capitais brasileiras: Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre, Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo.

 

A pesquisadora Sandhi Barreto, da Universidade Federal de Minas Gerais, apresentou vários resultados. Sandhi ressaltou que existem muitos estudos e dados epidemiológicos no Brasil, o que difere um pouco de outros países da América Latina. “Mesmo assim, ainda não temos muitos estudos longitudinais. O que isso significa? Que ainda não temos estudos de fatores que concorrem para a incidência e a progressão das principais doenças crônicas. Porque isso requer que você siga uma população ao longo do tempo e tenha dados de excelente qualidade e muito amplos dessa população, investigando as mudanças ao longo do tempo”, revela. Esse é o perfil da investigação “ELSA Brasil: thinking big, thinking ahead” apresentada no Epivix 2014.

 

Informações profundas e variadas de indicadores, inclusive clínicos e subclínicos, são contemplados por estudos longitudinais como o apresentado por Sandhi Barreto. Segundo a pesquisadora, essas informações que são coletadas em longo prazo, estão ajudando a traçar um perfil a um curto, médio e longo prazo de fatores que concorrem, tanto em nível macro quanto individual para a incidência e a progressão das principais doenças crônicas. “Os indicadores são múltiplos, que incluem os clássicos. No Brasil ainda é um desafio estudar a ‘cor da pele’ como indicador social, mas também a renda, escolaridade. Nesse sentido existe também um conjunto de dados que exige um trabalho um pouco mais complexo das informações como a história ocupacional ao longo da vida, por exemplo, que permite classificar ‘classe social’, ‘tipo de natureza ocupacional’, ‘mobilidade’. Somando-se a isso temos um estudo de ‘vizinhança’ muito importante que contempla tanto a ‘vizinhança percebida’ quanto a ‘vizinhança a partir do geo-referenciamento’ (do contexto)”, explica. De acordo com Sandhi, essas informações fortalecem no entendimento dos fatores que influenciam no estado de saúde das populações e como ela evolui.

 

Um resultado que chama muito a atenção são os dados de ‘intolerância à glicose”. Sandhi revela que a população brasileira tem uma prevalência de sobrepeso e obesidade muito alta, uma prevalência em diabetes de 15 a 20%, que é considerada altíssima, e um percentual equivalente de intolerância à glicose (pré-diabetes). “A perspectiva é assustadora. O estudo apresenta esse perfil de risco. Podemos dizer que a obesidade é a maior expressão para o diabetes”, explica Sandhi.

 

Outro dado importante é quanto à doença renal crônica em indígenas. Sandhi revela que usando os dois marcadores que definem a doença, a prevalência é extremamente alta e cresce ainda mais com a idade. “É especialmente alta na população indígena, que apesar de um escopo pequeno, tem uma prevalência elevadíssima”, disse. De acordo com a professora, isso está relacionado a dois fatores de risco: diabetes e a hipertensão.

 

“É na variação que um estudo como esse consegue identificar fatores que contribuem para piorar, para fazer aparecer uma doença onde não havia, contribui para uma morte”, afirma Sandhi. A pesquisadora acrescenta que sem o Ministério da Saúde e de Ciência e Tecnologia, teria sido impossível realizar esse estudo e dar continuidade. Nesse sentido, o interesse também reflete na possibilidade de transformar os resultados em ferramentas para se pensar políticas públicas sustentáveis. “Na investigação sobre a hipertensão, por exemplo, os dados de como se trata, o uso de medicamentos e tipo combinação de medicamentos utilizados são informações extremamente relevantes para o SUS. Para o controle da hipertensão, é um exemplo de aplicação, a pesquisa antecipa em números como é o caso do consumo médio de sal, como ele se dá, e a sua relação com uma série de ocorrências da hipertensão, etc.”, pontuou.

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Um comentário sobre “Diabetes, sobrepeso, intolerância à glicose em indígenas são preocupantes no Brasil, afirma estudo

  1. INteressante a socialização destes conhecimentos gostei.
    Bom conhecer o boletim epidemiologico da potabilidade da agua feito pelo Ministéri da Saude em 887 municipios em q aparece 40 cidades em Minas com níveis de agrotóxicos acima do permitido. Isto pode está impactando a saúde dos indios.
    Na Bahia a cidade q aparece neste mapa foi responsavel em 2013 por um caso de CDJ.

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