Depoimentos de Anamaria Tambellini e Nelson Rodrigues dos Santos na Comissão da Verdade da Unicamp


Anamaria Tambellini e Nelson Rodrigues dos Santos darão seus depoimentos à Comissão da Verdade e Memória “Octávio Ianni” da Unicamp sobre a trajetória de Sérgio Arouca, particularmente sobre suas atividades na Unicamp. A Sessão especial acontece nesta quinta-feira, 14 de agosto, às 09h30 no Auditório do Departamento de Saúde Coletiva, no 1º piso da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Rua Tessália Vieira de Camargo, n. 126 – edifício ao lado do mastro com a bandeira do Brasil, saída para o campus da Puc). O depoimento poderá ser acompanhado em tempo real, em transmissão pela internet, neste link.

 

Anamaria Tambellini, Doutora em Medicina Preventiva e Social pela UNICAMP, integra o Departamento de Medicina Preventiva e Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da UFRJ, atualmente coordenadora da Comissão da Verdade da Reforma Sanitária. 

Nelson Rodrigues dos Santos é Doutor em Medicina Preventiva pela Universidade de São Paulo (1967), atualmente é Professor colaborador da Universidade Estadual de Campinas e presidente do Instituto de Direito Sanitário Aplicado (IDISA), atuando principalmente nas seguintes áreas: Desenvolvimento do Sus, do controle social e das Políticas Públicas na área social. 

O objetivo de investigar eventuais arbítrios e violações de direitos humanos praticados contra docentes, alunos e funcionários da Unicamp durante a ditadura militar levou o reitor José Tadeu Jorge a assinar portaria instituindo a Comissão da Verdade e Memória Octavio Ianni, que iniciou seus trabalhos em outubro de 2013, com previsão de concluí-los em um ano. A presidência é da professora Maria Lygia Quartim de Moraes (IFCH), tendo como membros titulares seus colegas Ângela Maria Carneiro (IFCH), Yaro Burian Júnior (FEEC) e Wilson Cano (IE), e o advogado Eduardo Garcia de Lima.

Na primeira audiência pública desta Comissão, destacou-se a presença do jornalista Ivan Seixas, coordenador da Comissão da Verdade Rubens Paiva, da Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele foi preso em 1971, aos 16 anos, na companhia do pai, o metalúrgico Joaquim Alencar de Seixas, que acabou assassinado por torturas na Oban (Operação Bandeirantes). “Por conta de muitas bobagens escritas, pensou-se que a luta contra a ditadura foi feita por estudantes, da classe média, brancos. Mas o perfil dos mortos e desaparecidos aponta que pouco mais de 20% eram estudantes e mais de 50%, trabalhadores de todos os segmentos (operários, comerciantes, médicos, advogados); e mais de 20% de militares que também se empenharam na luta. Os estudantes eram parte da história.”

Ressaltando que falava com base em documentos aos quais se teve acesso após a abertura dos arquivos dos órgãos de segurança, e não em interpretações, Ivan Seixas observou que a visão que se tem repressão é a mais aparente: a tortura, os mortos, os desaparecidos e os torturadores. “O fato é que tivemos no Brasil a atuação de um serviço de repressão absolutamente completo, uma ampla rede que se estendia a todos os cantos da sociedade. Ao mesmo tempo, a ideia que se faz do DOI-Codi é de uma entidade única, restrita às ruas Tutoia em São Paulo e Barão de Mesquita no Rio de Janeiro, quando a rede de repressão era muito maior, monumental.”

A Comissão da Verdade e Memória “Octávio Ianni” da Unicamp foi criada para investigar fatos que tenham resultado em eventuais arbítrios e violações de direitos humanos praticados contra docentes, alunos/as e funcionários/as. A inciativa mais incisiva para a criação de uma comissão na Unicamp partiu do professor aposentado Caio Navarro de Toledo, em carta aberta amplamente divulgada. Nela, foi enfatizada não somente a necessidade de se investigar atos de arbitrariedade cometidos durante a ditadura, como a importância de se eliminar os resquícios do AI-5 ainda presentes nas normas da Universidade.

Uma merecida homenagem foi feita a Octávio Ianni que, perseguido pela ditadura militar e aposentado compulsoriamente da USP, foi professor do Departamento de Sociologia e professor emérito da Unicamp. Um exemplo de dignidade e honestidade intelectual. A Comissão está autorizada a recolher depoimentos, informações e documentos, assegurando, sempre que requerida, a não identificação do/a informante. Pode também requisitar informações e documentos de todos os órgãos da Universidade, além de convidar professores/as, funcionários/as e alunos/as que tenham vivenciado situações específicas de violações de seus direitos civis dentro da Universidade, ou qualquer outra pessoa que possa ter informações relevantes.

Como uma de suas atribuições, deverá encaminhar às Comissões da Verdade em âmbito nacional e estadual as informações obtidas; e recomendar a adoção, no âmbito da Unicamp, de medidas e políticas destinadas a prevenir a violação de direitos humanos. Outra tarefa será a elaboração de um relatório que contenha os resultados de seu trabalho de investigação, dando ampla divulgação a esse texto. A Comissão da Verdade e Memória “Octávio Ianni” da Unicamp atuará pelo prazo de um ano a partir de sua instalação, com possibilidade de prorrogação, caso seja necessário. Preside a Comissão a professora Maria Lygia Quartim de Moraes, e seus membros titulares são os/as professores/as Wilson Cano (IE), Yaro Burian Júnior (FEEC), Ângela Maria Carneiro (IFCH), Caio Navarro de Toledo e o advogado Eduardo Garcia de Lima. Como suplentes, estão a doutoranda em sociologia Danielle Tega (IFCH) e a advogada Fernanda Cristina Covolan.

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