Articulando vertentes de ações internacionais para a saúde


Depois de apresentar dados relevantes sobre a modificação no produto da saúde que indicam que 40% são indústria e não serviço, e que esse cenário que vem se modificando desde a década de 1950, muda radicalmente a área da saúde, Ana Luiza ressaltou a grande dependência externa brasileira na área de tecnologia da saúde. “Eu vejo claramente dois problemas cruciais: a falta de um desenho institucional de regulação da incorporação tecnológica e que se chegarmos a ter um, não poderá ser industrialista. Não pode ser uma relação Estado-indústria porque a indústria captura o Estado. Essa é uma grande temeridade do ponto de vista econômico. O outro problema é a nova crise da igualdade. Para pensar a saúde, a igualdade é fundamental. Democracia é igualdade e não apenas como distribuição porque ela é mais que isso. A igualdade é uma relação que envolve a similaridade, a independência e a cidadania”, afirmou.

Deisy de Freitas não poupou conceitos para pensar a Proteção da Saúde no Contexto Global e apresentou um panorama do pensamento científico sobre a questão no Brasil e no exterior como João Bieh (A saúde é uma anarquia de códigos abertos com interesses e profundidades absolutamente desiguais), Celia Almeida (Há novos campos conceituais em construção, tanto científico quanto prático. Mas eles estão desordenados, tanto voluntaristas quanto discursivos, sem coordenação e lideranças efetivos), Lawrence Gostin (A governança mundial da saúde é lamentavelmente deficiente) e Patrick Zylberman (No século XXI, um sistema de saúde será tão importante para a segurança nacional como o Ministério da Defesa foi no século XX).  “Não quero apresentar uma oposição a esses pensamentos científicos nem tampouco afirmar o que está certo e o que está errado seguir. Mas propor uma avaliação crítica apontando aspectos positivos e negativos no sentido de pensar em transformações significativas para a governança global de saúde”, enfatizou.

“A OMS, por exemplo, exerce um papel importante nesse processo. Não quero me opor a OMS, mas apresentar uma visão crítica sobre sua atuação para mostrar que ela pode ir mais além”, disse Deisy. A expositora ressaltou que é preciso evitar o sequestro da saúde pública pela perspectiva securitárias de alguns, como vem fazendo os EUA e que os esforços brasileiros estão voltados para a cooperação estruturante em saúde como uma dupla inovação em relação ao paradigma de cooperação internacional. “A visão brasileira pretende romper com a tradição da transferência passiva de saberes e tecnologias e seu principal objetivo é a criação ou o fortalecimento das principais instituições de saúde”, pontuou. Além de propor uma nova compreensão da relação internacional/doméstico, Deisy apontou a necessidade de criar uma escola de pensamento global crítico no Brasil e pensar o desenvolvimento dos estudos sobre as plexts de saúde, especialmente a brasileira, articulando as diferentes vertentes da ação internacional.

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