Alternativa ao SUS é barbárie sanitária – artigo de Gastão Wagner e Luis Eugenio


Confira na íntegra o artigo Alternativa ao SUS é barbárie sanitária, de autoria de Gastão Wagner e Luis Eugenio Souza, presidentes da Abrasco da atual  e da gestão anterior (2012-2015), publicado originalmente no jornal O Globo em 23 de maio. Acesse aqui a publicação original.

“O ministro da Saúde indicado pelo governo Temer revelou-se um adversário do SUS, apesar de todas as evidências que indicam sua importância para o bem-estar da sociedade. A alternativa ao SUS é a barbárie sanitária. O verdadeiro desafio está em completar a implementação das políticas e programas que vêm funcionando, e não em desconstruí-los.

Os sistemas públicos de saúde — inspirados no pioneiro National Health Service da Inglaterra — demonstraram maior eficiência do que os dos países que conservam o modelo tradicional centrado no mercado. O gasto per capita inglês com atenção em saúde é metade daquele dos EUA. Em 2015, o SUS realizou 46% do total de gastos em saúde, e isso para atender 75% da população; o setor privado precisou de 56% para assistir apenas 25% dos brasileiros.

O processo de reforma sanitária precisa completar-se, a gestão precisa melhorar; entretanto, não no sentido imaginado pelo ministro. Outras medidas são necessárias, por exemplo, extinguindo o livre provimento pelo Poder Executivo de todos os cargos de gestão de programas e serviços (isto não aumentará custos); ampliando a cobertura de atenção básica para 80% das pessoas; fazendo investimentos estratégicos em saúde coletiva e em serviços regionais onde haja dificuldade de acesso a hospitais; integrando a gestão e o planejamento dos vários SUS existentes (federal, estaduais e municipais); criando política de pessoal que respeite profissionais e usuários.

A necessidade de redução dos gastos públicos não poderá ser realizada na área social. A equidade e a justiça social exigem que se considere que os grandes gastos do orçamento público estão sendo realizados em projetos da elite econômica e política. Quase 50% do imposto arrecadado em 2015 foram gastos com serviços da dívida pública; o “bolsa empresário” custou, nos últimos cinco anos, mais do que o SUS; a renúncia fiscal na saúde corresponde a mais de 15 bilhões de reais.

As diretrizes do SUS indicam o rumo para nossas políticas e para a gestão — está na Constituição. As reações imediatas obrigaram o ministro a recuar e a desdizer o que tinha dito sobre a impossibilidade de assegurar o direito de todos à saúde. Mais que isso: as reações demonstraram que esse princípio democrático está enraizado na sociedade brasileira porque nasceu da sociedade (e não do Estado) em luta pela democracia nos anos 1970 e 1980, inscreveu-se na Constituição de 1988 e se disseminou por todos os rincões do Brasil com a implantação do SUS.

Mas todos sabem que o SUS apresenta muitas deficiências, com serviços superlotados e de má qualidade. E todos sabem que, entre as causas dessas deficiências, está o baixo investimento. Qualquer ministro comprometido com a Saúde não pode se furtar a reconhecer essa realidade. O próprio PMDB lançou o documento “A travessia social” — espécie de plataforma de governo para Michel Temer, em que afirma, no capítulo Saúde, que é preciso “melhorar a gestão financeira e (…) elevar os recursos para o financiamento do sistema”. Esperamos que a fala inicial de Ricardo Barros não tenha sido um balão de ensaio e que seu recuo tenha sido sincero. De todo modo, ele e o governo interino como um todo já devem ter percebido que estarão entrando em confronto com a cidadania brasileira se insistirem em mexer no direito à saúde.”

 

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5 comentários sobre “Alternativa ao SUS é barbárie sanitária – artigo de Gastão Wagner e Luis Eugenio

  1. 1.Sobre a matéria “Alternativa ao SUS é barbárie sanitária” de Gastão Wagner e Luis Eugenio Sousa – devo dizer que a assertiva do ministro é a resultante da blindagem das lideranças da saúde em relação às soluções inovadoras –embasadas com métricas sistêmicas aplicáveis- para se operacionalizar o SUS que todos merecem.

    2.Há muitos anos –ano a ano- tenho tentado alertar a Diretoria-ABRASCO sobre a percepção das lideranças dos demais setores da sociedade em relação as lideranças do setor de saúde. Preponderantemente, elas acham(e não importa se é achologia) que as lideranças da saúde são compostas pelos mesmos que falam com os mesmos sobre o mesmo e quando “decidem” tem-se o que era conhecido. Se dão bem com o SUS^Atual, ganham bem e usam o melhor do SUS como mais iguais. E, ao que parece, não sentem desconfortos em ignorar as propostas inovadoras e factíveis para eliminar os gargalos técnicos, operacionais, administrativos, econômicos e financeiros do SUS.
    Nesse cenário, é mais fácil defender mais dinheiro para o SUS – sem apresentar soluções para transformá-los em RECURSOS DIRETOS NA SAÚDE. Desconhecem o DESEMPENHO-SUS -necessário e suficiente- DEVIDO À SOCIEDADE ou Níveis-RDID(Recursos Desbalanceados, Inadequados e Desarticulados).
    Também não sabem quais são as ações que devem ser propostas para que o SUS seja operacionalizado com TRANSPARÊNCIA MODERNA –conforme cultura de accountability- encerrando ÉTICA(juízo de valores que convergem para disponibilização de protocolos aplicáveis) e MORAL(como extensão da ética disponibilizando as métricas sistêmicas técnico-operacionais e econômico-financeiras aplicáveis). Sem esse tipo de proposta o estranhamento dos demais setores da sociedade –em relação ao setor de saúde- tende a aumentar. Com isso, as propostas de mais dinheiro para o SUS são inócuas.

    3.Como legado dessas posturas temos o SUSATUAL que, como tal, cada vez mais atrai os que defendem sua a redução -com aumento dos sistemas AMS e Particular- conforme assumiu publicamente o atual ministro da saúde.

    4.Por isso, continuo na expectativa de que a Diretoria-ABRASCO não se deixe contaminar por essa linha de raciocínio e, como corolário, seja permeável e promova às propostas embasadas em cenários numerológicos de AÇÕES INTEGRAIS DE SAÚDE equalizados e articuladas sinergicamente com seus RECURSOS(humanos por cargo-função e equipe, investimentos, despesas diretas e despesas indiretas), CUSTOS POR PROCESSOS(indicadores de eficiência econômica – porque as IS-Públicas,IS-Filantrópicas, IS-Privadas e IS-Mistas internalizam os de eficiência e eficácia técnico-operacionais respectivos), RECEITAS POR FONTES(indicadoras de eficácia econômica – porque os PV –para os Clientes-SUS, Clientes-AMS e Clientes-Particular- são embasados em seus Custos por Processos) e DESEMPENHOS(diretos e sociais) -nas OFERTAS e DEMANDAS- compondo as ferramentas: a)Diagnóstico-AIS.RDIDSituação Atual – em t0; b)Prognóstico.AIS.ROBenchmark – em tN; c)Tratamentos de RDID a ROBenchmarkings- de t1 a tN-1 e d)Conformidades-AIS/LCATécnico-Operacionais e Econômico-Financeiras – de t0 a tN.

    6.Enquanto isso, disponibilizei o livro “Plano B para o SUS com Métricas Inferidas e Determinantes: Gestões-SUS Administradas Promovendo Desenvolvimento”(733 páginas) – que, foi enviado para Gastão Wagner com solicitação de compartilhamento com a Diretoria-ABRASCO. Mas, até momento não recebi questionamentos eou apoio para disseminação.

    7.Para elucidações use o e-mail do autor(passos@siatoef.com.br)

  2. A fala infeliz do ministro já mostra o quanto despreparado está para exercer tal função!!!!!
    O texto acima denota uma pequena parte do conhecimento da real situação da saúde e o que fazer! Porque não colocam ministros técnicamente competentes e não políticos!

    1. Cara Maylene, sugiro a leitura do livro Plano B para o SUS com Métricas Inferidas e Determinantes: Gestões-SUS Administradas Promovendo Desenvolvimento”.
      >>Para isso, faça o download através do hiperlink:
      https://www.dropbox.com/s/xkzc7g1izs2g297/Plano%20B%20para%20o%20SUS_Itens%200a8_Pg0a245.pdf?dl=0
      Com essa leitura se visualiza o Setor de Saúde(SUS+AMS+Particular)com métricas sistêmicas equalizadas, articuladas sinergicamente e contextualizadas sistemicamente.
      >>>Para elucidações use meu e-mail(passos@siatoef.com.br)

  3. SUS – patrimônio nacional! Precisamos defendê-lo! Acabar com as conquistas do SUS será um crime, uma barbaridade! A saúde pública e os cientista da saúde no Brasil precisam de investimentos e respeito. Temos técnicos super competentes, no SUS não é lugar para cargos políticos!Esse governo é uma avalanche de incompetência e truculência! Precisamos reagir!

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