Alames e Abrasco conclamam pelo fim dos ataques israelenses


A ascensão da violência contra o povo palestino, iniciada em 8 de julho, vem causando repulsa na comunidade internacional e expondo novamente a desproporcional força bélica que Israel utiliza contra a Faixa de Gaza e Cisjordânia. O resultado são as mortes de civis, grande parte delas de crianças, e a certeza de que interesses financeiros dão a tônica ao atual desfile de atrocidades.

Diante desse cenário, a Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva – ALAMES – e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco – vêm a público reafirmar suas posições em defesa ao Estado palestino, historicamente negado por Israel, Estados Unidos e pela cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) e pelo fim imediato dos ataques ao povo árabe, que sofre também em demais países, como Afeganistão e Iraque. As entidades convocam todas as demais organizações comprometidas com a vida e com a liberdade dos povos a assinar a  nota política, reproduzi-la em seus meios de comunicação e divulgar para seus associados. Confira abaixo o documento.

Novamente o governo de Israel ataca o povo palestino produzindo uma centena de mortes, com um grande número de crianças, sob o argumento de que foi atacado, mas desconhecendo o legítimo direito do povo palestino a resistir a uma ocupação que os subjuga e não os reconhece como seres humanos.

A paciência de todo o mundo está esgotada frente a atitude irônica do governo dos Estados Unidos, que diante das posturas genocidas do governo israelense contra o povo palestino, sustenta parcimoniosamente que Israel tem seu apoio para se defender dos ataque vindos da Palestina. Não é o povo palestino que, dia a dia, tenta manter inteiro em seu território, assim como sua gente e sua integridade? Será que, para os Estados Unidos, os palestinos não existem ou não merecem ser dignos? Qual a base de análise dos países que mandam na ONU?

Desde o exato momento em que os países poderosos concederam territórios para a formação do Estado de Israel, em sessão da ONU em novembro de 1947, em menos de uma semana meio milhão de judeus para lá se mudaram com ajuda da Inglaterra e avançaram no espaço dos palestinos, que tiveram de se refugiar na Síria.

Posteriormente, foram produzidas uma série de guerras que permitiram triplicar seu território original, tomando a cidade de Jerusalém, regiões do Golan e parte da Faixa de Gaza, apoderando-se assim de territórios sírios e egípcios, além de bloquear inclusive o transporte de alimentos para a Palestina, sempre com a legitimação da ONU e de todos os países chamados de desenvolvidos, que preocupados em se apoderar dos recursos naturais e destruir o mundo árabe, nunca impuseram sanções a Israel e, seguramente, não o farão enquanto a ONU permanecer nas mãos dos poderosos.

Essa nova ação de Israel, cujo objetivo é arrasar com tudo o que significa a Palestina e apoderear-se de seu solo, encontra-se claramente encaixado na estratégia de ocupação dos territórios árabes por parte dos Estados Unidos e países europeus, mediante a estímulo de aparentes descontentamentos sociais em países árabes que até agora mantiveram-se por sorte a distância política dos chamados países desenvolvidos.

A unidade do mundo árabe, apesar das suas discrepâncias e de atitudes de países como Arábia Saudita, Kuwait e outros, que abaixam a cabeça servilmente aos ianques mesmo mantendo restrições aos direitos das mulhres, não pôde ser derrotada até os anos 1940. Hoje não devemos estranhar as agressões mediante à estimulação de extremistas mulçumanos para dividir o mundo árabe e apoderar-se dessas nações, como foi feito com o Afeganistão e o Iraque, países dizimados pela pobreza, destruição e disputas internas.

Com as desculpas de defesa com o mais moderno equipamento militar, adquirido em fábricas norte-americanas, alemãs e francesas, Israel ataca diariamente a Palestina com mísseis, destruindo hospitais, asilos, orfanatos, que se defendem com armamento francamente caseiro e pouco poderoso.

Por tudo dito acima, a Associação Latino-americana de Medicina Social e Saúde Coletiva – ALAMES – manifesta-se:

1 – Esta situação não requer apenas por um chamado de solidariedade, extremamente necessário, mas também a manifestação de nosso absoluto repúdio com as atitudes da ONU e do governo dos Estados Unidos da América, que não olham para o outro lado e não interveem ativamente pelo direito à vida do povo palestino, reconhecendo o Estado Palestino como única maneira de honrar os direitos dos povos.

2 – Convocar todos os militantes sanitaristas e povos a manifestar o repúdio ao governo de Israel, à ONU e aos países com assento no Conselho de Segurança da Organização, que não interveem contra a agressão israelense da mesma maneira que fizeram e fazem com as lutas no mundo árabe.

3 – Convocar a todos a se manifestarem em apoio e solidariedade ao povo palestino, reforçando o chamado da Sociedade de Ajuda Médica Palestina PMRS, que pede a todos os doadores internacionais e ministros da Saúde para assinar e pactuar com o fundo de ajuda e com o envio de força de trabalho para a Faixa de Gaza tão logo seja possível.

O direito dos povos exige a declaração do Estado Palestino pela ONU.

Associação Latino-Americana de Medicina Social e Saúde Coletiva – ALAMES
Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

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