Adeus a Nilcéa Freire, uma guerreira na luta das mulheres

É com grande tristeza que a Abrasco recebeu a notícia do falecimento de Nilcéa Freire, aos 66 anos, em sua residência, no Rio de Janeiro.

Grande médica, desde a graduação em Medicina participou de pesquisas no Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IMS/Uerj). Seguiu sua carreira como professora de parasitologia, sempre atenta à saúde pública.

Esteve presente na gestão da Universidade desde 1996, passando pelos cargos de assessora da Sub-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, diretora de Planejamento e Orçamento e vice-reitora. Em 2000, tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de reitora em universidade pública do estado.

Em 2004, foi nomeada ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, permanecendo no cargo até 2010.

À frente dessas instituições, Nilcéa Freire ajudou a fazer a história do estado do Rio de Janeiro e do país. Em sua reitoria, a Uerj foi a primeira universidade a implantar o sistema de cotas raciais e, posteriormente ampliá-lo para alunos da rede pública no Brasil. Neste 2019, a primeira turma egressa completou 15 anos.

Quando ministra, ampliou sua liderança na área de políticas públicas para mulheres. Foi responsável pela realização da 1ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, que teve como um dos resultados o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Em 2006, encampou o debate sobre a violência doméstica no Brasil, sendo uma das articuladoras da  lei Maria da Penha (Lei 11.340/06).

Ana Costa, coordenadora do Grupo Temático Gênero e Saúde da Abrasco e ex-presidente do Cebes, ressalta a liderança de Nilcéa tanto na pauta feminista como nas ações pelos direitos da população negra e dos excluídos.

“Nilcéa sai dessa vida para entrar na história das grandes mulheres brasileiras. Sua atuação em favor da igualdade e justiça social culminou na competente gestão como ministra à frente a Secretaria de Políticas para as Mulheres nos dois governos Lula. A Abrasco contribuiu muito para o Conselho Nacional de Direito para as Mulheres quando sob seu comando. É bem verdade que ficamos tristes com a sua morte, mas ficamos muito mais fortalecidas com a grande guerreira que foi.”

Sua partida suscitou diversas lembranças e memórias que destacam a grandeza dessa grande feminista na recente história da educação e das mulheres brasileiras. O velório será na Capela Ecumênica da UERJ, a partir das 10 horas de segunda-feira, dia 30.

A querida colega e amiga Nilcéa, o nosso agradecimento.

Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco

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