Abrasco critica privilégio no novo edital do programa Mais Médicos


Lançado no último dia 15, o novo edital do programa Mais Médicos buscou através de um paliativo corrigir um problema estrutural da formação em recursos humanos da área da saúde. No entanto, a deliberação só ampliou o problema. A atual chamada, que passa a se valer do programa de valorização da Atenção Básica (Provab), decidiu conceder pontos extras na seleção para recém-formados provenientes dos programas Universidade para Todos (Prouni) e do Financiamento Estudantil (Fies).

Para Luis Eugenio de Souza, presidente da Abrasco, se o critério buscou ser uma ação afirmativa para ampliar a inserção de jovens qe batalharam contra as adversidades econômicas para concluir suas formações, esqueceu-se de pensar numa devida equidade com aqueles que batalham nos diversos cursos das universidades públicas. Os candidatos que passaram por uma das duas modalidades de financiamento têm garantidos cerca de 16% de pontos dentro de uma das três faixas de pontuação.

A alteração amplia outras distorções. A participação no novo Provab/Mais Médicos garante 10% de pontos na classificação final nas seleções de residência médica. Logo, a nova medida estimula, mesmo que indiretamente, os estudantes da rede privada numa das disputas mais importantes de suas carreiras. Segundo Luis Eugenio, o Provab tem sido um grande elemento definidor das seleções de residência, chegando a representar grande percentuais entre os aprovados nos exames. Na Universidade Federal de Goiás (UFG), esse contingente já alcança 60% dos aprovados.

As declarações de Luiz Eugenio foram concedidas à Agência Estado, que ouviu também Naomar Almeida, reitor da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) e importante epidemiologista e militante da Saúde Coletiva. “Se havia a intenção de o proteger grupos de maior vulnerabilidade social, seria indispensável também beneficiar cotistas das universidades públicas”, disse. Confira a matéria na íntegra, publicada também no portal do jornal Estado de Minas.

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