A Indústria da doença – artigo de José Agenor da Silva


Jornal O Globo publicou, dia 18 de agosto de 2014, artigo de  José Agenor Álvares da Silva, membro da Comissão de Ciência e Tecnologia da Abrasco. Em 2012, Agenor recebeu o “World no Tobacco Day Award” da Organização Mundial da Saúde. Também foi ministro da Saúde e diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

Confira o artigo na íntegra:

 

A ciência é implacável. Do alto de sua onipotência aponta para a humanidade os caminhos que podem redundar em malefícios ou benefícios para as pessoas. O caso do tabaco é emblemático para mostrar o papel da informação em contraponto à publicidade maciça que preponderou sobre os benefícios aos consumidores dos produtos derivados do tabaco, notadamente, o de maior comercialização mundial: o cigarro.
Do início do século passado até meados dos anos 1960, a indústria da doença desenvolveu estratégias de marketing para promoção de produtos que vendiam a ilusão de glamour do “fumando espero”, da sofisticação social do “hábito de fumar” e ícone sexual para toda uma geração. Aos poucos, a ciência foi rompendo a máscara da desfaçatez e desnudou esse segmento ao provar, com dados irrefutáveis, que essa é a maior máquina de matar existente no mundo.
Existe uma forte conexão entre produtos de uso humano e doenças não transmissíveis. Vários governos nacionais, inclusive o Brasil, têm envidado esforços no sentido de requerer responsabilidade social dos grandes produtores industriais com relação a produtos potencialmente nocivos à saúde humana.
A indústria do tabaco fideliza seu produto pela dependência química e psicológica do consumidor à nicotina. Responsabilidade social não faz parte do ideário desse segmento. Além dos malefícios de seu produto para a saúde dos consumidores dependentes, constatam-se prejuízos maiores no processo de trabalho empreendido pelos produtores rurais, estimulados a plantar tabaco em uma estrutura de total dependência técnica e comercial à indústria do tabaco.
A exploração econômica na aquisição da folha de tabaco é uma realidade só não vista por aqueles comprometidos, única e exclusivamente, com os lucros dessa indústria. A exploração física do agricultor no manejo dessa cultura é maior ainda. A depender do período do ano, o trabalhador passa noites a fio sem o direito de “pegar no sono”, depois de um dia exaustivo de trabalho. Isso porque, é preciso manter a temperatura das estufas de secagem no nível ideal para garantir qualidade da folha do tabaco. Caso contrário, a indústria tabaqueira rejeita o produto, a dívida no banco se acumula e o agricultor fica aprisionado nos grilhões do aval da indústria.
Apesar desse cenário sombrio, ainda existe mal maior para o desenvolvimento dessa atividade, a exposição direta dos agricultores e familiares na colheita e transporte da folha verde de tabaco. Sempre é bom lembrar que o plantio da folha de tabaco está circunscrito a uma categoria de agricultores familiares que se distingue da agricultura familiar tradicional por cultivar um produto para um único comprador, a indústria tabagista.
A alta concentração de nicotina presente na folha verde, transportada nos braços dos trabalhadores rurais e até por crianças, agride direitos elementares de cidadania como a proteção à saúde e a condições adequadas de trabalho. Negar esses direitos aos trabalhadores é negar sua própria existência.
A ciência desvendou e pôs a nú os subterfúgios utilizados pela indústria do tabaco para fidelizar consumidores aos seus produtos. A política contra o tabagismo no Brasil tem dado passos importantes no sentido de proteger a saúde das pessoas. Falta, ainda, uma política clara que suporte a reconversão produtiva dessa commodity agrícola e garanta condições dignas de trabalho e renda para as famílias que se dedicam ao seu cultivo. Só assim esse mercado da doença poderá se enfrentado e vencido.

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3 comentários sobre “A Indústria da doença – artigo de José Agenor da Silva

  1. INVERDADE,,,,sou produtor de tabaco Estão convidados a comparecer na nossa regiao,visitar qualquer plantador de fumo e vejam como esse pessoal passa inverdades para o povo acreditar. Todos conhecem esse figura acima, cara vermelha, cara de ódio, nunca fez nada na vida, achou um discurso fácil contra o cigarro. Um covarde, que só se manifesta pela imprensa. Nunca veio conferir a realidade. Desafio esse covarde do Agenor a vir aqui na nossa região e mais, provar mesmo que o cigarro é industria da morte, em detrimento de outros. Esse covarde, não passa de um homem mal amado.

  2. E um conselho seu Agenor, para de usar nós fumicultores para seus projetos pessoais. Para de incomodar quem trabalha e se possivel, vá se tratar, vá num psiquiatra, talves ele possa curar essa sua demência.

  3. Mentira do Alvarez, não morrem 200 mil fumantes ao ano no Brasil, são apenas 925 óbitos ao ano, cfe. o próprio ministério da saude – datasus e CNM omprovam no anexo. INDUSTRIA DA MORTE, uma pinóia, industria da morte é o alcool, como podem perceber, aliás, o seu Alvarez deve adorar um destilado,por isso ele fala só do cigarro, para distrair o povo. Leiam, e vejam como são mentirosos pessoas como esse Alvarez, aliás, o colega acima tem razão, o senhor Alvarez sofre dedemência…. tragédia das drogas legalizadas
    Publicado em 25/02/2012 por Clínica Alamedas
    Primeira Edição
    Recentemente o governo federal lançou um programa nacional de combate ao crack.
    A droga já é considerada como epidemia e, portanto, necessita ser enfrentada como tal. São várias ações públicas que irão envolver mais de R$ 4 bilhões de investimentos. Afinal, 89% das cidades brasileiras enfrentam problemas com drogas.

    Segundo o estudo sobre morte por drogas – legais e ilegais – do Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, o uso de drogas matou 40.692 pessoas no Brasil entre 2006 e 2010. Uma média de 8 mil óbitos por ano. Mas o que chama atenção é o papel das drogas legalizadas. O álcool segue sendo o campeão na mortandade.

    O levantamento é feito com base nos dados compilados pelo Datasus. Entre as drogas legais, a bebida tirou a vida de 34.573 pessoas – 84,9% dos casos informados por médicos em formulários que avisam o governo federal sobre a causa da morte nesse grupo da população. Em segundo lugar aparece o fumo, com 4.625 mortos (11,3%). A cocaína matou pelo menos 354 pessoas no período.

    De acordo com a pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios, na comparação por gênero, há mais registros de morte de homens por álcool e fumo. Em cinco anos, 31.118 homens perderam a vida por causa da bebida. Outros 3.250 morreram em casos associados ao hábito de fumar. Por isso todas as legislações restringindo o fumo são bem vindas.

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