Guilherme Werneck sobre atuação diante da pandemia: “A resposta inicial foi errática!”

O site Uol produziu na última segunda-feira (23) matéria explicando as estratégias de controle da pandemia do Coronavírus em cada fase de sua contaminação. O vice-presidente da Abrasco, Guilherme Werneck explica que tais medidas incluem não só procedimentos médicos como também medidas sanitárias e políticas fundamentais para controle e atendimento da população. A questão política é analisada por Guilherme Werneck como uma das principais para lidar com pandemia, segundo ele, “A resposta inicial foi errática. Houve, de certa forma, algumas manifestações minimizando o problema. Diziam: ‘isso não ia chegar aqui’, ‘é um país tropical’, ‘é calor’, ‘é mais uma gripe’, inclusive de parte de membros do governo”.

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Guilherme Werneck aponta ao longo da matéria as especificidades das fases de atuação diante da pandemia, distribuídas em quatro pontos: contenção, mitigação, supressão e recuperação. A primeira etapa estaria relacionada ao controle sobre pessoas que chegam ao país, sabendo se tiveram contato com pessoas com o vírus, se tem sintomas e saber para onde essa pessoa vai. Já na fase de mitigação, que segundo Werneck é a que se encontra o Brasil, a ideia é “fazer com que a transmissão interna seja reduzida”, cancelando eventos, paralisando aulas e diminuindo a circulação de pessoas.  A supressão prevê que qualquer medida isolada provavelmente será limitada, então, essa etapa se propõe a uma série de medidas para conter possíveis sobrecargas do sistema de saúde. Por fim, a fase de recuperação se dá quando a pandemia dá sinais consistentes de que está acabando, principalmente com a diminuição de número de infectados. Segundo o abrasquiano, essa última fase tem elementos sociais importantes por conta dos diversos abalos nas vidas das pessoas: “As pessoas vão perder por muito tempo sua fonte de renda, perderão pessoas, fizeram gastos, empresas fecharam, grandes empresas entraram em crise, populações imensas ficaram vulneráveis.”

Sobre a questão política, a abrasquiana Ligia Bahia aponta que a preparação insuficiente do país no início da pandemia preocupa sobretudo pela superlotação do sistema público de saúde. “O nosso SUS não tem potência para responder a uma sobrecarga como a que estamos vendo em outras partes do mundo. Seria importante que a fase inicial tivesse sido mais bem sucedida. Uma fase que não envolve atendimento médico, mas de ‘polícia médica’, de controle e isolamento”.

Já Gastão Wagner, presidente da Abrasco (2015-2018), abordou a dificuldade de articulação do Ministério da Saúde com estados e municípios: “Nos últimos 15 dias, noto que os governadores e prefeitos tomaram as principais medidas de isolamento, enquanto a coordenação federal se mostrou ausente”. Gastão expõe também os problemas do governo: “O ministro (Luiz Henrique Mandetta) vinha atuando de forma autônoma, mas o presidente Bolsonaro discordou de medidas como o fechamento de comércio, de shoppings, fronteiras (a principal estratégia de achatamento da curva) no início da crise, porque, para ele, a paralisia inevitável da economia seria mais grave que a epidemia.”.

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