Abrasquianos no especial do Estadão sobre SUS

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A jornalista Lígia Formenti, do Estado de S. Paulo, publicou no último domingo (02/09) um especial sobre SUS. Foram entrevistados importantes pesquisadores e professores da Saúde Coletiva: Gastão Wagner (presidente da Abrasco 2015 – 2018), Naomar de Almeida Filho (vice-presidente da Abrasco 2018 – 2021), José Gomes Temporão (ex-ministro da Saúde) e Carlos Ocké-Reis (presidente da Associação Brasileira de Economia e Saúde). Confira trechos das matérias abaixo, e acesse o conteúdo completo aqui. 

SUS precisa de verba e gestão, dizem analistas

Com R$ 3,60 por pessoa por dia, União, Estados e municípios financiam todas as consultas, internações, remédios, vacinas, exames e outros tratamentos ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para o professor da Universidade Estadual de Campinas Gastão Wagner, só esse cálculo seria suficiente para mostrar que o gigantismo do orçamento do SUS é mito. “Os valores são restritos. E, apesar das dificuldades, ele trouxe uma ampliação do acesso à saúde, sobretudo da atenção básica.”
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Atendimento de saúde demora, mas sistema melhorou indicadores

[…] “Não há dúvida sobre o impacto positivo do SUS para a população”, diz o professor da Universidade Federal de Pelotas, Cesar Victora. “Mas o sistema, que já era subfinanciado, agora é ameaçado com a pressão para reduzir seu tamanho e dar prioridade a planos privados de saúde, muitos de baixa qualidade”, avalia.
Professor da Universidade Estadual de Campinas, Gastão Wagner tem avaliação semelhante. Ele afirma haver inúmeras evidências de que sistemas públicos e universais de saúde são mais eficientes do que modelos de mercado. Como exemplo, faz uma comparação de números da saúde nos Estados Unidos e no Reino Unido, que é universal. A saúde norte-americana tem um gasto equivalente a 16,4% do PIB. A do Reino Unido, por sua vez, de 7,11%. “E indicadores de saúde são equivalentes, com ligeira vantagem para o Reino Unido”, completa Wagner.
Além do financiamento, Victora e Wagner listam dois grandes desafios para o SUS: garantir a qualidade de atendimento e resguardar as conquistas obtidas pelo sistema. Os números recentes mostram que essa última tarefa é urgente.
A mortalidade infantil voltou a subir, depois de anos de queda. “A experiência internacional mostra que são raríssimos os casos em que tais retomadas ocorrem. A tendência é de que mesmo em situação de crise, as taxas de mortalidade, permaneçam estáveis”, afirma o professor de epidemiologia da Universidade Federal da Bahia Naomar de Almeida Filho.
“As exceções são raras, como em alguns países da África”, afirma Almeida Filho. Mantida a tendência, completa o professor da Federal da Bahia, a expectativa de vida do brasileiro poderá diminuir.
[…Wagner reconhece haver limitações do SUS, mas argumenta que o sistema ainda não foi totalmente implementado, não recebe recursos suficientes e não tem apoio político. “O primeiro passo é fazer com que o SUS ganhe corações e mentes: 75% da população depende exclusivamente dele, além de realizar serviços para toda sociedade.” 

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