Monsanto é condenada nos EUA: empresa omitiu consequências do uso de Roundup

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A empresa de biotecnologia Monsanto, histórica na produção de agrotóxicos e sementes transgênicas – e recentemente adquirida pela gigante farmacêutica Bayer – foi condenada a pagar US$ 289 milhões em indenização no dia 11 de agosto, na Califórnia (EUA), ao jardineiro DeWayne Johnson. O americano está com câncer terminal e atribui sua doença ao manuseio do Roundup, agrotóxico à base de glifosato – substância já condenada por instituições internacionais – como a International Agency for Research on Cancer – IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer) e nacionais, como a Abrasco, a Fiocruz e o o Instituto Nacional do Câncer (INCA). DeWayne trabalhava em uma escola, utilizava o Roundup mais de 20 vezes por ano e chegou a sofrer dois acidentes, em que foi banhado pelo veneno.

A acusação é direta: a empresa tem conhecimento sobre o potencial cancerígeno do glifosato, mas omite de seus consumidores. Para responder o argumento da Monsanto, de que não é possível comprovar a causa exata da doença, o advogado de DeWayne, Timothy Litzenburg, traçou um paralelo com o tabaco. Levaram décadas para as pessoas aprenderem que o cigarro pode ser um grande causador de câncer de pulmão. Assim, não se pode comprovar que a maioria dos quadros de linfoma não-Hodgkin do passado eram associados ao Roundup, mas pode-se iniciar um novo ciclo de prevenção. Para a CNN, ele afirmou que este é o começo de um processo de esclarecimento público da conexão entre o glifosato e o linfoma. 

DeWayne Johnson tem lesões em 80% do corpo e seu estado grave agilizou o processo judiciário, além de remexer nas cerca de 4000 acusações contra a Monsanto do mesmo gênero no país. A vitória abre precedente para novos julgamentos.

Morte por agrotóxico no Brasil

A Abrasco acompanhou, em 2014, a condenação da multinacional Del Monte Fresh Produce pela morte do trabalhador rural Vanderlei Matos da Silva, de 31 anos, exposto a agrotóxicos na Chapada do Apoti, em Limoeiro do Norte (Ceará). Documentos e depoimentos de testemunhas apresentados à justiça, na época, declaravam que Vanderlei armazenava agrotóxico em depósitos da empresa, o que incluía misturar produtos químicos e preparar os borrifadores para os trabalhadores que o aplicavam. Ele manuseava o paraquat,  veneno proibido nos EUA e na União Europeia – ainda comercializado no Brasil – e teve insuficiência renal e hepática e hemorragia digestiva, morrendo em 2008. A viúva de Vanderlei,  Maria Gerlene Silva Matos, foi indenizada.

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