Em Brumadinho, quem chegou primeiro foi o SUS

Nas ações de urgência e emergência; na solução e mitigação de endemias e epidemias; nas políticas de regulação e fiscalização à saúde do trabalhador e da trabalhadora; em toda a cadeia de proteção, prevenção e reabilitação que antecedem e, infelizmente, sucedem tragédias como a ocorrida em Brumadinho, há exata uma semana, há trabalhadores, gestores e usuários do SUS. A imagem acima viralizou nas redes sociais, alcançando mais de 3,3 mil compartilhamentos em uma de suas publicações – só nas mídias da Abraso, ela alcançou mais de 12 mil pessoas -,  em mais uma prova de que a população brasileira acredita e reconhece a assistência e a existência de uma saúde pública humana e voltada para todos, acima dos interesses de mercado e que não mede esforços para salvar vidas, mesmo sofrendo com um subfinanciamento histórico e tanto descaso das autoridades nacionais.

O SUS e a Saúde Pública estão presentes tanto no resgate, com o helicóptero do SAMU operado pelo Corpo de Bombeiros do Estado de Minas Gerais, como no atendimento imediato dos sobreviventes no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII e no Hospital Risoleta Tolentino Neves, ambos localizados na capital Belo Horizonte, de natureza pública e voltados para a rede SUS.

É o SUS também, em suas expressões acadêmica e de movimento social – que pensa a dimensão da saúde do ambiente; e não é de hoje.  Passado um ano do Desastre de Mariana, uma série de movimentos sociais e entidades científicas, incluindo a Abrasco, realizaram em abril de 2016 a Caravana Territorial da Bacia do Rio Doce. A Associação foi representada pelos pesquisadores Ary Miranda, Marcelo Firpo (ambos do CESTEH/ENSP/Fiocruz) e André Burigo (da EPSJV/Fiocruz), integrantes do Grupo Temático Saúde e Ambiente (GTSA/Abrasco), que percorreram a região devastada tanto nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo para investigar as condições de saúde e sociais das comunidades afetadas, além de prestar suporte social àqueles que passaram pelo trágico acontecimento que agora se repete. Parte dessa experiência compôs o artigo Tragédias brasileiras contemporâneas: o caso do rompimento da barragem de rejeitos de Fundão/Samarco, publicado na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional em julho de 2017, assinado por Firpo junto com Francisco Lacaz (DMP/EPM/Unifesp) e  com o também abrasquiano Tarcísio Pinheiro (FM/UFMG), do Grupo Temático Saúde do Trabalhador (GTST/Abrasco).

Firpo também é autor do artigo  A tragédia da mineração e do desenvolvimento no Brasil: desafios para a saúde coletiva, publicado no periódico Cadernos de Saúde Pública em fevereiro de 2016, que o Informe ENSP resgatou, discutindo-o à luz do novo desastre na matéria “Tragédias de Minas Gerais e os desafios para a saúde coletiva”.

Os movimentos sociais expressaram-se também na Nota de protesto e solidariedade da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, articulação que congrega mais de 100 organizações ligadas à diversas temáticas e que convergem em esforços e análises na tentativa de mudar o triste cenário ambiental brasileiro.

Outras expressões dessa produção acadêmica e social do SUS estão nos artigos de Léo Heller, pesquisador do Instituto René Rachou (IRR/Fiocruz), associado Abrasco e relator especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos à Água e ao Esgotamento Sanitário (A Vale e o governo não aprenderam nada com Fundão?Precisaremos de mais Fundões e Feijões para darmos um basta a tragédias?), e de Carlos Machado (Para aprender com Brumadinho), pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz) e integrante da Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres, republicados pela Abrasco. Vale também a leitura sobre o trabalho desenvolvido por alunos do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/Icict), que foram até a Mariana entender e observar como se dá o diálogo entre o meio acadêmico e à sociedade civil a cerca dos impactos do rompimento, e que ganha nova reflexão em entrevista à pesquisadora e aluna Patrícia Barcelos sob os rejeitos de mais um crime ambiental

Comments

comments

Deixe uma resposta