Vacinas contra o SARS-CoV-2: disputas e descaso com a saúde da população

Foto: Peter Ilicciev/Fiocruz Imagens

A disputa pelas vacinas que possam dar uma resposta eficaz e efetiva à Covid-19 dominam as manchetes dos principais veículos de comunicação do país. As idas e vindas do governo federal, as declarações errôneas do presidente da república, o uso político da pauta, alimentando o negacionismo e a xenofobia, o questionamento sobre obrigatoriedade e o descaso com a saúde da população se evidenciam. Em nota, a Abrasco posicionou-se, afirmando que “considera que devem ser adotadas todas as vacinas que forem registradas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e incorporadas pelo SUS mediante análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec)”.

Na quarta-feira, 20 de outubro, reunião da comissão mista do Senado Federal reuniu senadores e especialistas. Embora o tom de otimismo tenha aparecido nas avaliações de alguns presentes, Guilherme Werneck, vice-presidente da Abrasco e docente do IESC/UFRJ e IMS/Uerj demonstrou preocupação com o tempo e a logística para a imunização de toda a população e classificou como “temerário” o investimento em uma só vacina. Para Werneck, é necessária articulação entre o governo federal, estados e municípios e o planejamento adequado para a vacinação em massa. O pesquisador criticou a exigência de documento de identificação em postos de vacinação, já que parte da população não tem acesso a tais documentos, e isso poderá gerar filas e aglomerações.

Ouça a matéria da Agência Senado, com a participação de Guilherme Werneck:

Em entrevista à revista Carta Capital, o abrasquiano José Cássio de Moraes explicou detalhadamente os processos de produção e aprovação das vacinas e afirmou que, normalmente, as análises da Anvisa “são sérias e adequadas, e o que a gente espera agora é que não tenha nenhuma influência política nessa análise”. O professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo enfatizou que planejamento adequado é fundamental, pois serão necessárias cerca de “500 milhões de doses para imunizar todo mundo. Não vai ter essa produção [rápida] nunca, nenhum laboratório tem condições disso. Não se produz uma vacina do mesmo jeito que uma aspirina”, ressaltou. Moraes defendeu a valorização do Sistema Único de Saúde, pois “ele está em deterioração, com menos verba. Ele tem que ser reativado, sair da UTI para oferecer um atendimento melhor para a população, porque ele demonstrou sua importância”, concluiu.

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