Abrasco participa de matéria sobre cenário econômico dos planos de saúde


Em matéria publicada nesse fim de semana no jornal Estado de Minas, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) foi ouvida para comentar como o cenário econômico recessivo vem afetando o comportamento no consumo dos serviços de saúde suplementar.

André Yanckous
José Sestelo | Foto: André Yanckous/Agência Kah

José Antônio Sestelo, pesquisador egresso do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA), atualmente associado ao Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ), e vice-presidente da Abrasco, contextualizou o crescimento do setor no país, motivado por planos coletivos oferecidos, em sua maioria, pelos empregadores, e todo o tipo de isenção fiscal, remunerações de procedimentos e outros subsídios diretos e indiretos, além das diversas estratégias da apropriação dos serviços suplementares por parte dos usuários, que não são analisadas nem debatidas pelos gestores da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

“Nos últimos dez anos o setor expandiu sua carteira de clientes e o seu faturamento de forma contínua, inclusive incorporando novos segmentos de clientes de baixa renda. Agora, em um momento de desaceleração da atividade econômica e queda no nível de emprego é esperada uma redução na venda de planos e seguros de saúde. Os dados da ANS refletem essa nova situação, entretanto não é possível até o momento estabelecer uma relação direta entre a diminuição no número de clientes das empresas e o aumento na demanda pela assistência pública, existe uma rede complexa de fatores conjugados que precisam ser analisados em conjunto”, explicou ele em reposta à reportagem.

Destacou ainda o caráter universal do sistema de saúde brasileiro, que não faz distinção de usuários e os protege e oferece um conjunto de redes de atenção, serviços e políticas integradas muito além da temática e das possibilidades dos planos privados, um dos motivos que fazem a luta pela saúde pública ser central na disputa de visões e de construções do Estado brasileiro. “Isto significa dizer que os cerca de 25% da população que dispõe de um esquema privativo de assistência (vedado para quem não é cliente do plano de saúde) conta com uma sobre oferta de recursos assistenciais parcialmente financiada por recursos públicos e ainda pode recorrer ao SUS como uma espécie de resseguro. Os 75% que não são clientes de planos de saúde, ao contrário, além de não terem acesso aos recursos imobilizados para uso exclusivo dos clientes de planos, ainda arcam com o ônus de financiar uma estrutura para a qual o seu acesso é vedado”.

Confira abaixo a matéria na íntegra, com outras declarações de Sestelo, ou clique aqui para acessar a página do EM.

“O freio no consumo das famílias, que caiu 4,5% no último trimestre, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é sentido também no comportamento das vendas dos planos de saúde individuais. Nos últimos 12 meses, a carteira das operadoras perdeu 87,4 mil usuários no país. A baixa é provocada pela alta do desemprego e, reflete ainda o rearranjo do orçamento doméstico cutucado pela alta dos preços. A desaceleração do setor privado reacende a discussão de subfinanciamento do sistema público da saúde, agravado por cortes no Orçamento da União.

No mês passado, a vendedora Alessandra Oliveira cancelou o contrato com a operadora do plano de saúde ao qual estava vinculada. Ela conta que está desempregada e, enquanto busca nova colocação no mercado de trabalho, atua como autônoma e faz bicos. A mensalidade do plano co-participativo variava entre R$ 300 e R$ 400, dependendo do uso, e passou a não caber no seu orçamento atual. “Ficou muito caro para mim”, diz. Alessandra se viu obrigada a cancelar também o plano do filho, que custava R$ 160 mensais. Ela já usou o centro de saúde do bairro onde mora e se diz satisfeita. “O atendimento básico é bom. O que precisa melhorar são as emergências, o pronto-socorro.”

SUS – A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) informa que, na prática, não existe uma separação total entre pessoas que têm convênios e aquelas que não dispõem do benefício. “Muitos clientes de planos usam o SUS naquilo que é conveniente ou não é coberto, como transplantes de órgãos, terapia renal substitutiva, tratamento de vários tipos de câncer e vacinação”, diz José Antônio Sestelo, vice-presidente da Abrasco.

Segundo ele, com a desaceleração da economia, é esperada queda nas vendas dos convênios, mas não há, ainda, como medir os efeitos dessa demanda da assistência pública de todo o país. O especialista diz que o subfinanciamento é um problema crônico da saúde pública agravado pela crise econômica e cortes de recursos. “O SUS foi concebido para atender ao conjunto da população brasileira sem discriminações. É preciso decisão política para assegurar o seu financiamento adequado e a plena realização do seu potencial assistencial”, defendeu.

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