Um Dia das Mães com a epidemia do vírus zika e a microcefalia


Nesta Dia das Mães, a Comunicação da Abrasco presta homenagem às mulheres vítimas da epidemia do vírus Zika, em especial as mulheres da Paraíba, retratadas pelo documentário “Zika”, dirigido pela antropóloga Débora Diniz, do Grupo Temático de Bioética da Abrasco – “De tanto ver a dor de vocês, a dor também é minha. O que a gente pode fazer é segurar nas mãos, abraçar e procurar respostas para que outras mães não passem por isso”, diz, em determinado trecho do filme, a médica Adriana Mello, quem primeiro estabeleceu o nexo entre a infecção por zika e os casos de microcefalia, na maternidade pública de Campína Grande, onde trabalha. O filme mostra a angústia de mulheres ao fazer o ultrassom e confirmar que a criança que esperam tem microcefalia. Elas vieram do Cariri, do Sertão e do Alto Sertão da Paraíba, Brasil. São médicas e mulheres comuns. Juntas, fazem ciência e sobrevivem à epidemia do vírus Zika no Brasil. A gravidez é tempo de espera e descoberta.

Em especial para a Abrasco, Débora Diniz falou sobre este Dia das Mães de 2016, quando muitas mulheres grávidas brasileiras passarão o domingo entre a expectativa de ser mãe e o medo do Zika vírus. A rotina de gestantes é alterada pelo medo de que os bebês nasçam com microcefalia – ZikaIsso inclui a necessidade de garantir a elas o acesso à informação clara, acessível e tão completa quanto possível sobre a infecção por Zika e seus efeitos. Inclui ainda o dever de garantir o direito de escolha reprodutiva diante da epidemia, seja para optar pelo prosseguimento ou pela interrupção da gravidez. Ao mesmo tempo, exige que políticas sociais urgentes sejam garantidas para as crianças nascidas com a síndrome neurológica. Só assim mulheres poderão tomar a decisão de levar a gestação a termo com segurança”, argumenta Débora.

Para a antropóloga, temos de garantir a elas o direito de decidir como querem enfrentar o sofrimento imposto pela epidemia – “Só a mulher, na intimidade das suas crenças e convicções, pode saber o que é encarar uma gestação em tempo de uma epidemia. Veja, que não é necessariamente o medo da microcefalia ou de outras alterações neurológicas no feto que pode afetar as mulheres: há uma angústia intensa em se manter grávida em uma epidemia que se conhece pouco as consequências para a saúde dela e de seu futuro filho. Todos são cenários de potencial tortura psicológica às mulheres. Respeitar essas mulheres é garantir que elas sejam as únicas a decidir qual o melhor caminho para aplacar essa dor” diz Débora. Quando questionada sobre a possibilidade de falar da flexibilização do aborto no Brasil, numa data como o Dia das Mães, Débora respondeu – “Sem dúvida alguma. Um debate sério sobre maternidade precisa encará-la como uma escolha, como um projeto de vida feliz, não como destino imposto às mulheres. Para isso, precisamos tirar o aborto do rol dos temas malditos e discuti-lo com a seriedade daquilo que é: um evento comum na vida reprodutiva das mulheres”.

Assista aqui ao documentário “Zika”, são 29 minutos que dão voz às mães brasileiras.

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