The Lancet expõe calamidade da saúde brasileira à luz da crise política


“O sentimento de injustiça é muito forte. Foram esses dias de espera que o fizeram ficar ainda mais fraco. Nossa decepção é porque quando mais precisamos de ajuda, ela não existe”. A declaração de Sheila da Costa sobre o falecimento de seu pai, José da Costa Filho, poderia ser encontrada em qualquer jornal brasileiro em matérias recorrentes na editoria de Saúde. No entanto, a via crucis vivida por esse carioca de 67 anos e que levou ao seu falecimento é o gancho utilizado pelo jornalista Jonathan Watts para falar dos atuais caminhos da saúde pública à luz da crise política num dos principais periódicos da área da Saúde Pública, o The Lancet, expondo ainda mais a situação brasileira calamidade da saúde brasileira à comunidade científica internacional.

Publicada em 16 de abril na versão eletrônica do periódico, a matéria Brazil’s health system woes worsen in economic crisis apresenta sinteticamente as mudanças vividas no sistema de saúde brasileiro nesses 27 anos de Nova República. Da inclusão do direito à saúde como pilar constitucional em 1988  ao momento atual , Watts, que é correspondente para América Latina do jornal The Guardian, mostra que os avanços proporcionados pela construção do SUS refletidos na melhoria dos principais indicadores vitais do país não se sustentaram no tempo com a redução de recursos financeiros, a baixa eficiência dos investimentos e a manutenção das desigualdades sociais na distribuição da força de trabalho em saúde.

O uso político do Ministério da Saúde como moeda de barganha no governo Dilma Rousseff no momento de agravamento da recessão econômica só piorou a situação da pasta, destaca o jornalista, que indica o fortalecimento da austeridade econômica na área social diante das mudanças no quadro político do Palácio do Planalto, apontando o economista Ricardo Barros como nome provável para a área social num eventual novo governo.

Ao final do texto, o jornalista dedica-se a avaliar a piora no quadro da saúde do estado do Rio de Janeiro, articulando a força da epidemia do Zika Vírus ao momento pré-olímpico e à falta de capacidade de resposta da rede de assistência pública nos municípios próximos, como Mesquita. O quadro apresentado por Watts é desanimador. “Com o governo paralisado por batalhas políticas e uma economia travada pela recessão,  parece improvável que a situação melhore em breve”. Entre os entrevistados, estão Carlos Ocké, economista do Ministério da Saúde e Jorge Darze, presidente do Sindicado dos Médicos do Rio de Janeiro. Acesse o arquivo em formato PDF e leia na íntegra, em inglês

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