Imagem negativa do SUS não está de acordo com avaliação do usuário


Dados nacionais sobre a situação de saúde, estilos de vida, acesso e uso dos serviços de saúde pelos brasileiros, estão sendo divulgados desde dezembro do ano passado, através da Pesquisa Nacional de Saúde – uma parceria entre Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Ministério da Saúde e Fiocruz.

A pesquisa, que está em sua primeira edição, visitou 81.767 casas em todos os estados brasileiros no segundo semestre de 2013, entre as quais 62.986 aceitaram responder ao questionário, este inquérito domiciliar é coordenado pela pesquisadora do Laboratório de Informação em Saúde, Célia Landmann Szwarcwald.

Há duas semanas, foi disponibilizada a terceira parte da Pesquisa, com informações sobre os ciclos de vida, saúde de crianças menores de 2 anos de idade; saúde da mulher; atendimento pré-natal e assistência ao parto; pessoas com deficiência; saúde do idoso; dados antropométricos (índice de massa corporal e circunferência da cintura) e avaliação da pressão arterial.

Segundo Célia Landmann, a imprensa não tem abordado um importante aspecto da pesquisa: a avaliação do atendimento médico por parte do usuário. Os dados mostram que mais de 70% consultou médico no último ano, e ninguém deixou de receber atendimento quando precisou. Além disso, todos os itens relacionados aos serviços de saúde do SUS obtiveram avaliações médias acima de 70, com escala variando de 20 (muito ruim) a 100 (muito bom), com exceção do tempo de espera, cuja avaliação média foi de 64. “Em relação aos aspectos relacionados ao médico no atendimento feito pelo SUS, as avaliações foram ainda melhores. Sendo assim, a imagem negativa que a mídia faz do SUS não está de acordo com a avaliação feita pelo usuário. Os pontos negativos precisam ser ressaltados, sem dúvida, uma vez que servem como subsídios para a melhora da assistência. Porém, mostrar apenas as situações excepcionais não permite dimensionar a magnitude dos problemas com fidedignidade, bem como não possibilita subsidiar estratégias de intervenção” avalia Célia.

A Pesquisa aponta ainda para comportamentos adotados com frequência pela população brasileira, que não são considerados saudáveis. Neste sentido, a prática de uma alimentação não saudável é, atualmente, o motivo de maior preocupação – “O crescimento da prevalência de excesso de peso e da obesidade, sobretudo entre as mulheres brasileiras, reflete o impacto dos hábitos inadequados de alimentação ao lado da falta de atividade física ou prática insuficiente, abaixo do nível recomendado. Outro problema é o consumo abusivo de álcool em associação com os acidentes de trânsito. O risco é significativamente maior entre os condutores de motocicleta que têm consumo abusivo de álcool”, informa Célia.

Sobre os resultados do terceiro Volume, o professor Carlos Augusto Monteiro escreveu o artigo ‘O risco de ser o país dos obesos‘, no jornal O Globo, onde mostra que – “Há uma tendência de substituição de alimentos minimamente processados como leite, feijão, arroz e hortaliças por refrigerantes, biscoitos e guloseimas” e que o aumento exponencial da obesidade no Brasil reclama a implementação de políticas cruciais recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, incluindo, em particular, a restrição da publicidade agressiva dos alimentos ultraprocessados e medidas fiscais que onerem o custo de produção desses produtos e facilitem a aquisição de alimentos minimamente processados. Monteiro é atualmente o coordenador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Saúde e Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (NUPENS/FSP/USP).

A professora Ligia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, comentou os dados da Pesquisa referentes à saúde da mulher, ao programa Repórter Brasil, da TV Brasil. Ligia também opinou sobre a publicidade agressiva dos alimentos ultraprocessados para as crianças brasileiras e falou sobre o aborto e a epidemia da obesidade no Brasil. Confira:

 

ACESSE AQUI OS 3 VOLUMES DA PESQUISA NACIONAL DE SAÚDE

PRIMEIRO volume de resultados. Divulgado em dezembro de 2014

SEGUNDO voluma de resultados. Divulgado em junho de 2015

TERCEIRO volume de resultados. Divulgado em agosto de 2015

Inquéritos nacionais sobre a saúde da população feitas anteriormente não coletavam amostras de urina e sangue para exames. É o caso da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que abordou o tema da saúde em 1998, 2003 e 2008 e também do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), feito anualmente desde 2006.

A PNS ainda terá uma quarta etapa de divulgação de dados no final do ano, que deve incluir informações sobre a pressão arterial dos entrevistados.

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Um comentário sobre “Imagem negativa do SUS não está de acordo com avaliação do usuário

  1. Grande novidade que a mídia brasileira – parcial, partidária e anti-nacional – não divulgue informações corretas ao público. Sobre o SUS ou sobre qualquer outro assunto.
    É a mídia do “quanto pior, melhor” e da demolição implacável do Brasil “que dá certo”…. Porque não pode dar certo, porque a lógica martelada há muitos anos é que “nada que é público funciona”, “serviço público é para pobre” (mas não falam da classe média alta tratando seu câncer, sua Aids e sua Hepatite C pelo SUS), etc. E enquanto isto o governo (Ministérios, Executivo, etc..) vão perdendo a guerra da comunicação, esquecendo a regra básica da galinha, que cacareja toda vez que põe um ovo…