Paraquate banido no Brasil: Abrasco enviou manifestação à Anvisa

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou nesta semana (15/9) o banimento do Paraquate no Brasil, a partir de 22 de setembro. A Abrasco enviou sustentação oral à audiência, e contribuiu tecnicamente com o processo, através de um vídeo gravado por Karen Friedrich, pesquisadora do GT Saúde e Ambiente da Associação, biomédica, toxicologista e doutora em Saúde Pública. 

Estudos científicos comprovam que o Paraquate é associado à doença de Parkison, e provoca mutações genéticas em seres humanos. A alteração no material genético pode causar câncer – o que já é um critério para proibição de agrotóxicos no Brasil, desde 1989. “A decisão da instância máxima de deliberação da Anvisa, e o trabalho de seu corpo técnico na proibição do Paraquate, é de importância inestimável para a sociedade brasileira, e crucial para prevenir doenças que causam muito sofrimento nas pessoas que se expõem a esse agrotóxico, notadamente no ambiente de trabalho”, afirmou Friedrich. 

O químico foi proibido ainda em 2017, mas o setor interessado – o agronegócio – tinha três anos , desde a decisão, para apresentar evidências científicas favoráveis ao uso do tóxico nas lavouras. Em julho deste ano, o Comitê  de Ética da Unicamp suspendeu a única pesquisa que pretendia subsidiar a liberação do Paraquate no país. Segundo denúncias do Repórter Brasil e da Agência Pública, o estudo era financiado pela  Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja). 

Assista à manifestação da Abrasco, proferida por Karen Friedrich, exibida durante a 18ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada da Anvisa: 

Referências:

Ockleford et al. Investigation into experimental toxicological properties ofplant protection products having a potential link toParkinson’s disease and childhood leukaemia.  EFSA Journal, 15(3):4691, 2017 . Disponível em: 


Tajai P, Fedeles BI, Suriyo T, et al. An engineered cell line lacking OGG1 and MUTYH glycosylases implicates the accumulation of genomic 8-oxoguanine as the basis for paraquat mutagenicity. Free Radic Biol Med, 116:64-72, 2018. Disponível em : https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29289706/

Nohmi T, Matsumoto K. Effects of DNA polymerase kappa and mismatch repair on dose-responses of chromosome aberrations induced by three oxidative genotoxins in human cells. Environ Mol Mutagen, 61(1):193-199, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31294882/
 

 Kim H et al.  Toxicokinetics of paraquat in Korean patients with acute poisoning.  Korean J Physiol Pharmacol, 20(1): 35–39, 2016. Disponível em: ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4722189/

Andreotti G, Freeman LEB, Shearer JJ, Lerro CC, Koutros S, Parks CG, Blair A, Lynch CF, Lubin JH, Sandler DP, Hofmann JN. Occupational Pesticide Use and Risk of Renal Cell Carcinoma in the Agricultural Health Study. Enviornmental Health Perspectives, V. 128, n. 6, 2020.  Disponível em: https://ehp.niehs.nih.gov/doi/full/10.1289/EHP6334

 



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